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sexta-feira, 13 de março de 2026
POR ÉDEN MOURA MENDONÇA: O MUNDO DAS PEQUENAS COISAS.
POR RONALD TELES: ESPERANÇA

Dr. Ronald Teles
Esperança
Não turve os tempos com as cores vermelhas do ódio,
Note a expressão de meus olhos,
Que buscam o amanhã com raios de sol,
Com crianças correndo no campo,
No enlevo de um novo encanto,
Das promessas lindas e divinas,
Que nos envolvem de paz;
Acalma teu egoísmo e maldade,
Que a tudo invade,
Roubando anos dourados de nossas vidas,
Abrindo feridas cruas em nossos corações,
Estes já combalidos pelas estultícias tuas,
Clamam pela paz!
Nosso planeta lindo agoniza,
E chama: El Shaday!
A ira divina se abaterá sobre vossas vidas sombrias,
Partiremos adiante, seguros que triufaremos,
Sobre a maldade e o veneno,
Que brotam de teus vis sentimentos,
O amor sempre vencerá o ódio,
Sua melodia transformará a terra,
E os homens de boa vontade,
O guardarão para a eternidade,
Da paz de nosso Deus.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
POR RONALD TELES: GRATIDÃO

Dr. Ronald Teles
Gratidão
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
POR RONALD TELES: DESEJO
Quero te dar a brisa que agita os arrebóis
Quero te dar água da chuva, que lava desgostos,
Quero te dar alegria da vida e do tempo,
Quero te dar sempre um novo dia, sem mais lamentos,
Quero te dar rosas multicores em um balé eterno,
Quero te dar o canto dos pássaros em sempiterno enlevo,
Quero te dar o vento que embaralha e espalha teus cabelos,
Quero te dar meu beijo , carregado de desejos,
Quero te dar meu coração,
Já sem nenhuma amarra,
Ele se abriu por inteiro para te dar amor puro,
Pois haja o que houver estaremos juntos,
E te darei eternamente tudo de mais precioso, eu juro,
Acordes de ouro, notas calentes,
De amor verdadeiro para nós dois.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
POR RONALD TELES: MÃOS
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| Dr. Ronald Teles |
MÃOS
Na exaustão de mais um dia vencido,
Como se vida escorresse através de suas linhas
Do tempo e de tantas outras,
Intercessões de nossos destinos,
Traçados divinamente em uma confluência explícita
Pelo amor que nós sentimos;
Mesmo ao toque suave,
No entremeio dos dedos,
Resvalando em nossos segredos,
Na verdade lições antigas aprendidas,
No vendaval da vida, talvez em crassos erros...
Sempre com a impressão de uma nova chance,
Pois o amor espreita atento,
Em música, em alento,
Uma fragrância suave,
Que a nós dois invade,
E eis que nossas mãos se apertam,
O calor então se propaga
Decretando almas gêmeas,
Pertença daqui e de outros mundos,
Bem além de tudo,
Sublime paixão e saudade
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
POR ÉDEN MOURA MENDONÇA: PARDALZINHO
Éden Moura - Membro Acadêmico da Sobrames-CE
"Pardalzinho"
Muito mais silenciosa do que era de costume, a unidade que amiúde eu visitava assistiria outra vez à circunstância materialmente encontradiça que eu conheceria, no entanto, pela primeira vez.
Era sabido o que iria acontecer. Fora debatido, planejado e por fim tomara forma: dona Cândida, depois da viva intrepidez com que enfrentara o seu penar, havia então de achar descanso. Sob os cuidados da equipe e após as despedidas, era tempo de deixar.
Presenciei os ocorridos como que do princípio. A admissão nas dependências, as instabilidades repentinas, a mansa recusa em resignar-se; o modo como andava, ela, de mãos dadas com o agora. Ainda me recordo dos seus doces dizeres, do seu tão lasso riso e das bênçãos que sobre nós ela teimava em derramar. Pois era toda em fé, num apaixonamento indizível pela vida... — e a fé enchia o leito, a paixão enchia os seres, agregando-nos, coadunando quem à dona Cândida podia se achegar. Tanto o era que, no derradeiro dia, apinhavam-se alguns daqueles que acabaram por amá-la, inevitavelmente, nem que por instante.
Ali, defronte de sua maca, nós a observávamos como se observa alçar voo um pardalzinho. Este, outrora estático por sobre a fiação, torna à sua existência errante, cheia do seu fazer-se livre e do vento — não tão seu —; cheia de um céu imenso, enevoado, bem como do acaso que portanto há de buscar. Caberá dizer ainda que, se o pequeno o faz embevecido pelo seu canto tão próprio, avessamente o fazia a docíssima senhora: partia num silêncio que, contudo, como aquele chilro, era singular. Ora, se a melodia nos encanta por estimular nossos ouvidos e criar formas de dança, seu silêncio encantava ao agir do mesmo modo, mas por sobre as consciências — e dançávamos, assim, extasiados, sem o céu e sem o canto, sem o vento, sem o voo, sem pardal e seu acaso; dançávamos inertes, em instâncias mui distintas, nossos passos espirituais. Afinal, diante de nós, suspirava-lhe a vida, esvaindo-se, sumindo dos domínios da matéria fugidia, porém a sua alma, do contrário, rebentava no liberto, aos prantos e soluços tão comuns aos nascimentos — renovavam-se os votos que outrora ela fizera, ainda que, no tempo, não pudesse perceber.
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
Por: Ronald Teles - Saudades
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| Dr. Ronald Teles - Cardiologista |
Saudades
Sinto saudades de tudo o que vi,
Também de tudo o que não vi,
Tudo talvez tão claro e tão escondido,
Em tropeços de minh'alma.
Paisagens diversas e caminhos abertos,
Quiçá,alhures vistos,
Retos ou tortuosos,
Bem vindos ou dolorosos,
Necessários à minha saudade;
Que ora ri e chora,
Pelo passado inalcansável,
Pelo hoje talvez tangível
Quem sabe um airoso futuro?
Permeado de minha saudade...
Sofro e sigo em frente,
Com sentimentos calados em meu peito, que gritam em um silêncio,
Que penso estarem aparentes,
Mas logo se tornam ausentes
E mais uma vez se espalham em cortes
Resvalando em ondas eternas,
Plasmando- se em mil argumentos
Que levam à uma eterna saudade,
Que mais uma vez invade,
Tudo que é saudoso em mim
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
POR RONALD TELES: NOVA VIAGEM
Envoltos por feixes de tempo,
Que os projetam no infinito,
Mas também perto de ti,
Sonhos e desejos latentes,
Algoritmos talvez sem sentido,
Em uma lógica incerta,
Que te confunde e também liberta
De dúvidas passadas,
Juntas por toda a estrada,
Que assumistes seguir,
Estanque por um momento,
Mas novamente alçada ao futuro,
De passos retos,
Ditames de um coração,
Alquimias de emoções,
Mistura de alegrias e tristezas,
Arremetidas a um novo amanhã,
Onde buscarás o brilho ora aplacado,
E mais uma vez encontrado,
Em impressões improváveis,
De grande alvura e brilho,
Renascidas para tua mais nova viagem,
Esta,ao teu interior,
Onde estará
Teu verdadeiro destino e amor,
Na paz de tua alma,
Na profundidade de teu ser
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
POR RONALD TELES: DIVERSO
Diverso
Caríciados por tantos lamentos,
De olhos que se buscavam,
E agora não...
Abissal falta,
De braços envolvidos em um novo encontro,
Hoje fugidios por dúvidas remidas,
Mas talvez não resgatadas,
Lançadas no passado,
De uma lágrima fortuita,
Logo expressa de forma crua,
Que molha tua estrada,
Mas não tem tua atenção,
Mesmo rogada em voz alta,
Com gritos e desvarios,
À surda escuta que agora envolve teu ser,
Mundo agora diverso ou o anverso,
Deságue de frios sentimentos,
Que são recolhidos em teu peito,
Como um doloroso presságio ,
Do amor que não mais possui,
E talvez pudesse me dar,
Iluminando meu novo dia.
sexta-feira, 28 de novembro de 2025
POR REBECA DIÓGENES: O OFÍCIO DE VER

Rebeca Diógenes
O Ofício de Ver

Porque, antes de ser ciência, a medicina é um trato fino com o humano.
A cada consulta, desfilam histórias, medos, perdas e esperanças envoltas em queixas rápidas e exames impressos. E, entre uma pergunta e outra, existe uma delicadeza que separa o médico que apenas atende do médico que verdadeiramente percebe: o gesto atento.
É ele que capta o tremor sutil de quem disfarça a angústia.É ele que distingue o silêncio carregado de quem não sabe como pedir ajuda.
É ele que interpreta a ausência repetida do paciente não como descuido, mas como consequência de uma vida que não coube no relógio nem no transporte público. É ele que vê, na mãe apreensiva, mais do que um quadro febril — vê o fardo invisível de quem cuida de todos, menos dela mesma.
A falta desse olhar é, talvez, a maior carência contemporânea.Não faltam tecnologias, cursos, telas e métricas. Faltam olhos que saibam pousar com suavidade sobre o outro.
Em um mundo onde tudo é rápido, o verdadeiro luxo é a atenção plena. E, na medicina, esse luxo salva.
Há uma nobreza discreta no médico que se inclina para escutar o que não foi dito; que percebe nuances, que interpreta gestos mínimos, que devolve ao paciente não apenas um diagnóstico, mas a dignidade de ser visto, reconhecido e respeitado.
Nessa profissão, o olhar atento é mais que habilidade técnica — é patrimônio afetivo, instrumento de cura, lapidação da empatia. É ele que transforma consultas apressadas em encontros humanos; que converte ciência em arte; que resgata o sentido mais puro da palavra cuidado.
Porque, no fim, a medicina que verdadeiramente ilumina não é a que domina máquinas, mas a que domina o olhar. E quem vê o invisível toca, com elegância, o que há de mais essencial em cada vida que lhe é confiada.
terça-feira, 18 de novembro de 2025
POR RONALD TELES: FILHOS
FILHOS
Encontrei- os novamente em meus braços,
Na nostalgia do espaço,
Que o tempo deixou,
Lastreando lágrimas de saudade,
Por cada minuto, hora e dia,
Que passaram junto a mim,
Quisera eu tê- los bem perto,
Mas sei que o destino se fez certo,
Caminhando para além de meus olhos,
Que sempre se perdem no firmamento,
Em um uníssono lamento,
Desta falta que me basta,
Do perfume oloroso de jasmim,
Que se mistura com minha lembrança,
De doces e pequenas crianças,
Que um dia afaguei,
Agora olho com saudades,
O tempo que se espalhou,
Mas que agora se juntou,
Bem dentro aqui,
Meus filhos nunca partiram,
Estão morando eternamente,
Em meu coração, que os sente e sempre os sentirá,
Como um sonho lindo,
Que termina dizendo,
Do nosso eterno amor.
terça-feira, 28 de outubro de 2025
POR RONALD TELES: PERFUME
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| Dr. Ronald Teles |
PERFUME
Com a natureza te cercando,
Beijando tua face com a brisa da tarde,
O sol quase findo,
Com lampejos de tua sombra,
Que invade meus olhos,
Te percebendo longe e perto,
Certo que ainda me pertences,
Embora o sol partindo,
Cristalize uma prece,
Arremetida aos céus,
Retornando ao meu coração,
Que avidamente à recebe,
E espalha dentro do meu ser,
O sentimento cálido de estar contigo,
Avançando dia a dia com um sorriso,
Como se a noite beijasse o dia,
Em um fortuito encontro,
Nos invadindo de uma nova emoção,
Dizendo que não há dúvidas sobre nós,
Pois nosso amor é colhido pelo vento,
Arremessado como pétalas de rosas,
Que se desprendem e bailam ao infinito,
Mas caem lentamente aos nossos pés,
Colorindo o chão da vida,
Com o perfume da chegada e da partida,
Somente de nós dois.
sexta-feira, 24 de outubro de 2025
POR FÁTIMA AZEVÊDO: MEDITANDO HOJE APÓS O CAFÉ DA MANHÃ
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| Dra. Fátima Azevêdo - Médica Geneticista |
Meditando hoje após o Café da Manhã
quinta-feira, 23 de outubro de 2025
POR RICARDO PESSOA: RESULTADO DO VESTIBULAR
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| Dr. Ricardo Pessoa |
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
POR RICARDO PESSOA: O CORPO E O CARTÃO DE CRÉDITO

Dr. Ricardo Pessoa - Endoscopista Digestivo
O corpo e o cartão de crédito
Era uma sexta feira a tarde, quando Dr José viu seu
celular com 3 ligações e uma mensagem de outro colega dizendo: “assim que
puder, me liga”.
José prontamente atende o pedido do
amigo e o telefonou. Era uma solicitação de realização de um procedimento de
urgência em um paciente de meia idade, Sr Walker, estrangeiro, que se
encontrava com um quadro agudo que precisava ser submetido a um tratamento com
brevidade para evitar complicações e diminuir o risco de morte.
Dr José prontamente montou sua equipe e
se encaminhou ao hospital para realizar o ato cirúrgico e aliviar o sofrimento
daquele enfermo, sem mesmo perguntar como seria a forma de pagamento já que era
um caso de urgência e um pedido aflito de um amigo seu.
O procedimento foi realizado com sucesso
na manhã do sábado, permanecendo o doente na uti por 24 horas, e, na segunda ja
se encontrava no apartamento.
Nesse momento, durante a visita
hospitalar habitual, Dr José foi questionado pelo Sr Walker sobre como seria o
pagamento, já que o mesmo era estrangeiro e não dispunha de plano de saúde.
Então, Dr José acertou os valores dos
honorários com o inglês sem dificuldade, porém havia uma impasse de como seria
realizado esse pagamento.
Pra surpresa do médico, o paciente pediu
a sua esposa, Sra Walker, para pegar sua carteira de documentos no armário do
quarto e entregá-lo; assim que a recebeu, sr Walker a abriu, retirou o cartão
de credito e o entregou ao médico: “tome, leve para sua clínica, faça a cobrança
do valor acertado e o traga quando vier pro hospital amanhã! A minha senha é
1918”
Dr José ficou estupefato com essa
atitude do Sr Walker e retrucou logo em seguida: “não, Sr Walker, não posso
levar seu cartão com sua senha!”
Para
surpresa de todos que estavam no quarto do hospital, Sr Walker justificou sua
atitude: “Dr, o senhor me operou, eu confiei no senhor e lhe entreguei o meu
corpo! Leve-o”
quarta-feira, 8 de outubro de 2025
POR RONALD TELES: CICATRIZES
terça-feira, 7 de outubro de 2025
CONVITE
Local: Centro de Eventos do Ceará
Horário: 17 horas
POR RONALD TELES: SAUDADES
| Dr. Ronald Teles - Cardiologista |
Saudades
Visitei uma cidade antiga
Arrebatada pelo tempo ido,
Que se fez nova em um lampejo,
E de repente me pôs em lágrimas,
Quedei- me de arrependimento,
Pois voltei ao passado;
A nostalgia que maltrata,
Corrói o espírito,que se descontrói em lástimas,
Suspirando por um alento,
Acolhido na complacência da calma,
Sabendo que visitar o que se foi,
No chão não resolvido das angústias,
É um clamor pelas saudades
Que invadem nossas almas,
De aflições que não mais cabem
Dilacerando nosso ser,
Fragmentos de eternidade,
Reminiscências do tempo
Perdidos em pálidos momentos,
Nos convidando a um novo dia,
Acolhido pelo bom ânimo,
Significando uma nova poesia,
Sonhando tudo que nos projeta à frente,
Motivo para o hoje, o agora e sempre,
vaticínio de um novo amanhã,
Olhos brilhantes na estação,
Local da nova partida,
Amor para nossas vidas
sábado, 27 de setembro de 2025
Por Ronald Teles - ROSAS
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| Dr. Ronald Teles - Cardiologista |
ROSAS
Me cerco de flores,
De amores perfeitos,
Que brotam do meu peito,
E digo não ao ódio,
Resguardo- me de tua face crua,
Humores ácidos que escorrem de teu ser,
Destarte o bem que recebeste,
De tantos que te cercaram,
Em dolorosas vertigens,
Da tua carne atormentada,
Supliciada pelo tempo, por agudos momentos,
Diante tudo que te maltratava,
Agora aqui estamos,
Juntos novamente,
Aproveita a inocência e beleza das rosas,
Que se enchem da graça,
Que vem do alto,
Sem quereres de sol ou chuva,
Brilhando todo o dia,
Com pétalas suaves e molhadas,
Pela brisa e gotas lacrimosas,
Felicidade que não demora,
Mas não te diz nada,
Para que então um dia pressintas,
Que necessitas desta mesma graça,
Liberdade para tua alma
quinta-feira, 25 de setembro de 2025
POR REBECA DIÓGENES: O TEMPO DAS HORAS E O FIM DO MUNDO
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| Rebeca Diógenes - Acadêmica de Medicina |
O Tempo das Horas e o Fim dos Mundos
Antigamente, a vida corria no
compasso dos sinos da igreja e do apito do trem. O dia começava com o galo,
terminava quando o sol se escondia, e o mundo parecia imenso e ao mesmo tempo
simples. As conversas aconteciam na calçada, o tempo era medido pelo cheiro do
café coado e pela rotina das estações. O futuro não se apressava — vinha lento,
como chuva anunciada no horizonte.
Hoje, o tempo não cabe mais no
relógio. As horas se dissolvem em telas luminosas, e a vida é contada em
notificações. Conversamos menos com quem está ao lado e mais com quem está a
quilômetros. O mundo, que antes parecia distante, agora cabe no bolso — mas,
paradoxalmente, nunca pareceu tão esmagador. Falamos em progresso, mas nos
perdemos em algoritmos; corremos contra o tempo, mas sempre chegamos atrasados.
E quanto ao fim do mundo? Talvez ele
não venha com trombetas ou fogo dos céus, mas em pequenas doses cotidianas: no
silêncio entre duas pessoas na mesma mesa, na pressa que devora o presente, na
solidão de quem tem mil amigos virtuais e nenhum ombro real. O fim do mundo
pode estar menos no planeta e mais dentro de nós, no instante em que esquecemos
de viver como antes — com a calma de quem sabia esperar, com a simplicidade de
quem reconhecia beleza no pouco.
Cecília Meireles, em sua delicada
sabedoria, já nos lembrava que “a vida só é possível reinventada”. E talvez
seja isso: o fim não é apenas destruição, mas o perigo de não reinventarmos a
própria existência, de nos perdermos no ruído e esquecermos a poesia escondida
nos gestos simples. Quando deixamos de reparar nas flores que nascem sem alarde
ou no silêncio das estrelas, é como se começássemos a escrever, em silêncio, o
nosso próprio apocalipse.
Talvez o mundo não acabe em
explosão, mas em esquecimento. O fim não será um clarão, mas um piscar de
olhos. E, quem sabe, um dia ainda olharemos para trás e veremos que o
verdadeiro fim começou quando deixamos de olhar o céu — esse mesmo céu de
Cecília, sempre aberto, sempre nos lembrando que “o tempo é a minha matéria, o
tempo presente, pessoas presentes, a vida presente”.








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