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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

POR RONALD TELES: DESEJO

Dr. Ronald Teles 

DESEJO 

Quero te dar nuvens do céu embaladas com raios de sol,
Quero te dar a brisa  que agita os arrebóis
Quero te dar água da chuva, que lava desgostos,
Quero te dar alegria da vida e do tempo,
Quero te dar sempre um novo dia, sem mais lamentos,
Quero te dar rosas multicores em um balé eterno,
Quero te dar o canto dos pássaros em sempiterno enlevo,
Quero te dar o vento que embaralha e espalha teus cabelos,
Quero te dar meu beijo , carregado de desejos,
Quero te dar meu coração,
Já sem nenhuma amarra,
Ele se abriu por inteiro para te dar amor puro,
Pois haja o que houver estaremos juntos,
E te darei eternamente tudo de mais precioso, eu juro,
Acordes de ouro, notas calentes,
De amor verdadeiro para nós dois.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

POR RONALD TELES: MÃOS

Dr. Ronald Teles 

MÃOS

Minhas mãos tocam as tuas no repouso da noite,
Na exaustão de mais um dia vencido,
Como se vida  escorresse através de suas linhas
Do tempo e de tantas outras,
Intercessões de nossos destinos,
Traçados divinamente em uma confluência explícita
Pelo amor que nós sentimos;
Mesmo ao toque suave,
No entremeio dos dedos,
Resvalando em nossos segredos,
Na verdade lições antigas aprendidas,
No vendaval da vida, talvez em crassos erros...
Sempre com a impressão de uma nova chance,
Pois o amor espreita atento,
Em música, em alento,
Uma fragrância suave,
Que a nós dois invade,
E eis que nossas mãos se apertam,
O calor então se propaga
Decretando almas gêmeas,
Pertença daqui e de outros mundos,
Bem além de tudo,
Sublime paixão e saudade

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

POR ÉDEN MOURA MENDONÇA: PARDALZINHO

 

Éden Moura - Membro Acadêmico da Sobrames-CE

"Pardalzinho"

   Muito mais silenciosa do que era de costume, a unidade que amiúde eu visitava assistiria outra vez à circunstância materialmente encontradiça que eu conheceria, no entanto, pela primeira vez. 

   Era sabido o que iria acontecer. Fora debatido, planejado e por fim tomara forma: dona Cândida, depois da viva intrepidez com que enfrentara o seu penar, havia então de achar descanso. Sob os cuidados da equipe e após as despedidas, era tempo de deixar.

   Presenciei os ocorridos como que do princípio. A admissão nas dependências, as instabilidades repentinas, a mansa recusa em resignar-se; o modo como andava, ela, de mãos dadas com o agora. Ainda me recordo dos seus doces dizeres, do seu tão lasso riso e das bênçãos que sobre nós ela teimava em derramar. Pois era toda em fé, num apaixonamento indizível pela vida... — e a fé enchia o leito, a paixão enchia os seres, agregando-nos, coadunando quem à dona Cândida podia se achegar. Tanto o era que, no derradeiro dia, apinhavam-se alguns daqueles que acabaram por amá-la, inevitavelmente, nem que por instante.

   Ali, defronte de sua maca, nós a observávamos como se observa alçar voo um pardalzinho. Este, outrora estático por sobre a fiação, torna à sua existência errante, cheia do seu fazer-se livre e do vento — não tão seu —; cheia de um céu imenso, enevoado, bem como do acaso que portanto há de buscar. Caberá dizer ainda que, se o pequeno o faz embevecido pelo seu canto tão próprio, avessamente o fazia a docíssima senhora: partia num silêncio que, contudo, como aquele chilro, era singular. Ora, se a melodia nos encanta por estimular nossos ouvidos e criar formas de dança, seu silêncio encantava ao agir do mesmo modo, mas por sobre as consciências  e dançávamos, assim, extasiados, sem o céu e sem o canto, sem o vento, sem o voo, sem pardal e seu acaso; dançávamos inertes, em instâncias mui distintas, nossos passos espirituais. Afinal, diante de nós, suspirava-lhe a vida, esvaindo-se, sumindo dos domínios da matéria fugidia, porém a sua alma, do contrário, rebentava no liberto, aos prantos e soluços tão comuns aos nascimentos — renovavam-se os votos que outrora ela fizera, ainda que, no tempo, não pudesse perceber.

— Sê feliz, minha menina!
E voou: doce e velho pardalzinho.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Por: Ronald Teles - Saudades

Dr. Ronald Teles - Cardiologista


 Saudades


Sinto saudades de tudo o que vi,

Também de tudo o que não vi,

Tudo talvez tão claro e tão escondido,

Em tropeços de minh'alma.

Paisagens diversas e caminhos abertos,

Quiçá,alhures vistos, 

Retos ou tortuosos,

Bem vindos ou dolorosos,

Necessários à minha saudade;

Que ora ri e chora,

Pelo passado inalcansável,

Pelo hoje talvez tangível 

Quem sabe um airoso futuro?

Permeado de minha saudade...

Sofro e sigo em frente,

Com sentimentos calados em meu peito, que gritam em um silêncio,

Que penso estarem aparentes,

Mas logo se tornam ausentes

E mais uma vez se espalham em cortes 

Resvalando em ondas eternas,

Plasmando- se em mil argumentos 

Que levam à uma eterna saudade,

Que mais uma vez invade,

Tudo que é saudoso em mim

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

POR RONALD TELES: NOVA VIAGEM



Dr. Ronald Teles 

NOVA VIAGEM 

Teus pensamentos estão vivos,
Envoltos por feixes de tempo,
Que os projetam no infinito,
Mas também perto de ti,
Sonhos e desejos latentes,
Algoritmos talvez sem sentido,
Em uma lógica incerta,
Que te confunde e também liberta
De dúvidas passadas,
Juntas por toda a estrada,
Que assumistes seguir,
Estanque por um momento,
Mas novamente alçada ao futuro,
De passos retos,
Ditames de um coração,
Alquimias de emoções,
Mistura de alegrias e tristezas,
Arremetidas a um novo amanhã,
Onde buscarás o brilho ora aplacado,
E mais uma vez encontrado,
Em impressões improváveis,
De grande alvura e brilho,
Renascidas para tua mais nova viagem,
Esta,ao teu interior,
Onde estará
Teu verdadeiro destino e amor,
Na paz de tua alma,
Na profundidade de teu ser

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

POR RONALD TELES: DIVERSO

 


Diverso

Antigos e novos amores,  agora postos sob a esteira do tempo,
Caríciados por tantos lamentos,
De olhos que se buscavam,
E agora não...
Abissal falta,
De braços envolvidos em um novo encontro,
Hoje fugidios por dúvidas remidas,
Mas talvez não resgatadas,
Lançadas no passado,
De uma lágrima fortuita,
Logo expressa de forma crua,
Que molha tua estrada,
Mas não tem tua atenção,
Mesmo rogada em voz alta,
Com gritos e desvarios,
À surda escuta que agora envolve teu ser,
Mundo agora diverso ou o anverso,
Deságue de frios sentimentos,
Que são recolhidos em teu peito,
Como um doloroso presságio ,
Do amor que não mais possui,
E talvez pudesse me dar,
Iluminando meu novo dia.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

POR REBECA DIÓGENES: O OFÍCIO DE VER

 

Rebeca Diógenes  

O Ofício de Ver

      Há um requinte silencioso no exercício da medicina que não cabe nos livros, nem se alcança por decorebas de protocolos. É uma arte antiga, quase aristocrática, que exige do profissional algo raríssimo nos tempos de urgência: um olhar capaz de enxergar além da superfície.
      Porque, antes de ser ciência, a medicina é um trato fino com o humano.
    A cada consulta, desfilam histórias, medos, perdas e esperanças envoltas em queixas rápidas e exames impressos. E, entre uma pergunta e outra, existe uma delicadeza que separa o médico que apenas atende do médico que verdadeiramente percebe: o gesto atento.
     É ele que capta o tremor sutil de quem disfarça a angústia.É ele que distingue o silêncio carregado de quem não sabe como pedir ajuda.
       É ele que interpreta a ausência repetida do paciente não como descuido, mas como consequência de uma vida que não coube no relógio nem no transporte público. É ele que vê, na mãe apreensiva, mais do que um quadro febril — vê o fardo invisível de quem cuida de todos, menos dela mesma.
    A falta desse olhar é, talvez, a maior carência contemporânea.Não faltam tecnologias, cursos, telas e métricas. Faltam olhos que saibam pousar com suavidade sobre o outro.
     Em um mundo onde tudo é rápido, o verdadeiro luxo é a atenção plena. E, na medicina, esse luxo salva.
        Há uma nobreza discreta no médico que se inclina para escutar o que não foi dito; que percebe nuances, que interpreta gestos mínimos, que devolve ao paciente não apenas um diagnóstico, mas a dignidade de ser visto, reconhecido e respeitado.
     Nessa profissão, o olhar atento é mais que habilidade técnica — é patrimônio afetivo, instrumento de cura, lapidação da empatia. É ele que transforma consultas apressadas em encontros humanos; que converte ciência em arte; que resgata o sentido mais puro da palavra cuidado.
   Porque, no fim, a medicina que verdadeiramente ilumina não é a que domina máquinas, mas a que domina o olhar. E quem vê o invisível toca, com elegância, o que há de mais essencial em cada vida que lhe é confiada.
 

terça-feira, 18 de novembro de 2025

POR RONALD TELES: FILHOS


FILHOS

Fugiram de minhas mãos 
Encontrei- os novamente em meus braços,
Na nostalgia do espaço,
Que o tempo deixou,
Lastreando lágrimas de saudade,
Por cada minuto, hora e dia,
Que passaram junto a mim,
Quisera eu tê- los bem perto,
Mas sei que o destino se fez certo,
Caminhando para além de meus olhos,
Que sempre se perdem no firmamento,
Em um uníssono lamento,
Desta falta que me basta,
Do perfume oloroso de jasmim,
Que se mistura com minha lembrança,
De doces e pequenas crianças,
Que um dia afaguei,
Agora olho com saudades,
O tempo que se espalhou,
Mas que agora se juntou,
Bem dentro aqui,
Meus filhos nunca partiram,
Estão morando eternamente,
Em meu coração, que os sente e sempre os sentirá,
Como um sonho lindo,
Que termina dizendo,
Do nosso eterno amor.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

POR RONALD TELES: PERFUME


Dr. Ronald Teles 

PERFUME

Te avistei sentada, em uma praça linda,
Com a natureza te cercando,
Beijando tua face com  a brisa da tarde,
O sol quase findo,
Com lampejos de tua sombra,
Que invade meus olhos,
Te percebendo longe e perto,
Certo que ainda me pertences,
Embora o sol partindo,
Cristalize uma prece,
Arremetida aos céus,
Retornando ao meu coração,
Que avidamente à recebe,
E espalha dentro do meu ser,
O sentimento cálido de estar contigo,
Avançando dia a dia com um sorriso,
Como se a noite beijasse o dia,
Em um fortuito encontro,
Nos invadindo de uma nova emoção,
Dizendo que não há dúvidas sobre nós,
Pois nosso amor é colhido pelo vento,
Arremessado como pétalas de rosas,
Que se desprendem e bailam ao infinito,
Mas caem lentamente aos nossos pés,
Colorindo o chão da vida,
Com o perfume da chegada e da partida,
Somente de nós dois.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

POR FÁTIMA AZEVÊDO: MEDITANDO HOJE APÓS O CAFÉ DA MANHÃ

Dra. Fátima Azevêdo - Médica Geneticista

 Meditando hoje após o Café da Manhã

A vida é uma dádiva e uma bênção. Merece ser celebrada todos os dias como forma de gratidão a Deus e ao Universo. Mesmo em dias cinzentos, devemos agradecer pela vida, porque sempre haverá luz no fim do túnel. Sempre haverá vida, e vida plena, porque somos seres espirituais, e o espírito vive eternamente.
Pensar na finitude da vida e, ainda assim, sentir gratidão, é algo que só bem nos fará. Alegria no coração é preciso ter, alimentar e perseguir até encontrá-la.
Se nosso foco se limitar aos acontecimentos do mundo, às guerras insanas, à inflação galopante em nosso país, às injustiças cometidas pelos homens da lei, à desordem político-social a que somos submetidos, às doenças em nossos familiares, à tristeza pela existência dos sem-teto, se pensarmos apenas em tudo aquilo que está além da nossa capacidade de resolver, entraremos em depressão profunda e não solucionaremos problema algum.
Portanto, fazer arte, escrever, dançar, cuidar das plantas, estar em contato com a natureza, cozinhar para si e para quem se ama, realizar um trabalho voluntário, aproximar-se de crianças e idosos, ambos têm tanto a nos ensinar , e cultivar a gratidão no coração, é roteiro certo para dar de cara com a alegria.
E tenha certeza: a vida sempre nos abraçará afirmativamente.


Fátima Azevêdo
23/10/2025

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

POR RICARDO PESSOA: RESULTADO DO VESTIBULAR

 
Dr. Ricardo Pessoa  

Resultado do Vestibular 


  - Renato! Renato! Acorde, são 8:30 da manhã! Acabei de ouvir no radio que o resultado do vestibular será divulgado as 11:30. Vá se ajeitar, meu filho! - Comentou Sr Barbosa, pai do Renato. 
  Renato abriu os olhos, ficou pensativo na cama por cerca de 5 minutos e observou sua escrivaninha com seus objetos, local onde esteve sentado por cerca de 8 horas por dia, durante todo o ano do pré-vestibular. Levantou-se e ao abrir seu guarda roupa, pegou e folheou todos os rascunhos dos exercícios de matemática, física e química resolvidos durante os estudos, feitos de papéis de extratos bancários dados por sua tia que trabalhava no setor financeiro de um banco estatal; e pensou: como eu estudei! 
  Ao chegar na cozinha para tomar o café da manha, após tomar o banho e realizar higiene matinais, observou o senhor Barbosa colocando algumas cervejas no freezer. 
  - Papai, o que é isso? São 9 horas da manhã e não sabemos se irei passar ou não.. - perguntou Renato. 
  - Não tem problema meu filho, se não bebermos de alegria, beberemos de tristeza. - retrucou seu pai, sem parar de abastecer o congelador com sua bebida preferida, a Antarctica. 
  Após o desjejum e algumas conversas, foi para o deck organizar o local onde escutariam o resultado, que seria narrado na radio, nominalmente todos os aprovados em todos os cursos da universidade pública. 
  Renato pegou um sistema de som 3 em 1, Sony, e o colocou em uma pequena mesa com algumas cadeiras ao redor e uma fita cassete TKR para gravar toda divulgação do resultado. Testou gravando e escutando uma pequena leitura de seu nome. Estava tudo pronto. 
  A espera pelo início durou uma “eternidade”, quando o radialista avisou que começaria a ler os aprovados por ordem de classificação, deixando os cursos de medicina e direito para o final, porque eram muitas vagas. 
 Todos nervosos falando sobre as possibilidades de aprovação enquanto eram lidos os novos universitários dos outros cursos. Porém, ao chegar na Odontologia, ficaram todos atentos e iniciaram a gravação porque Renato tinha uma prima, Samanta, que estudaram juntos toda a vida escolar, e ela estava concorrendo a esse curso. 
  Após nome de Samanta ser lido pelo locutor, todos gritaram, já que não era um nome comum, porém não ouviram o sobrenome; dai, tiveram que confirmar a aprovação após rebobinarem a fita e escutarem o nome completo de Samanta. Imediatamente, o telefone tocou, era a mãe dela, perguntando se realmente era ela, porque também gritaram de alegria antes da escuta completa. Confirmaram e parabenizaram-na. 
  O nervosismo aumentou. Estava chegando a hora. A prima já comemorava a aprovação. 
  Cerca de 10 minutos depois, o radialista pediu um intervalo comercial para beber água porque iria iniciar os cursos mais longos… mais espera e a taquicardia aumentando. 
  Sentaram muito atentos, silêncio sepulcral, o nervosismo estampado nos rostos. Renato apertou a tecla de gravação e os nomes começaram a ser lidos. Alguns nomes conhecidos foram aparecendo, porém não tinham como contar o numero que faltava, o que tornava maior a apreensão. E lá pelo meio, saiu o nome: Renato ……….! Todos evitaram comemorar antes de ouvir o nome completo. Foi a maior gritaria, abraços e choros emocionados entre pais, irmãos e filhos. 
  Logo em seguida, Renato sentiu um ovo estralando em sua cabeça e uma tesoura começando a cortar seu cabelo, que deu lugar a um barbeador elétrico, para raspar no “zero”. Brindes com a cerveja que já se encontrava gelada. Uma festa!! 
  Seus amigos e primos começaram a aparecer, inclusive a Samanta, e todos comemoraram por mais 24 horas a aprovação na universidade ouvindo inúmeras vezes as gravações.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

POR RICARDO PESSOA: O CORPO E O CARTÃO DE CRÉDITO

 

Dr. Ricardo Pessoa - Endoscopista Digestivo 

   O corpo e o cartão de crédito

            Era uma sexta feira a tarde, quando Dr José viu seu celular com 3 ligações e uma mensagem de outro colega dizendo: “assim que puder, me liga”.

        José prontamente atende o pedido do amigo e o telefonou. Era uma solicitação de realização de um procedimento de urgência em um paciente de meia idade, Sr Walker, estrangeiro, que se encontrava com um quadro agudo que precisava ser submetido a um tratamento com brevidade para evitar complicações e diminuir o risco de morte.

        Dr José prontamente montou sua equipe e se encaminhou ao hospital para realizar o ato cirúrgico e aliviar o sofrimento daquele enfermo, sem mesmo perguntar como seria a forma de pagamento já que era um caso de urgência e um pedido aflito de um amigo seu.

        O procedimento foi realizado com sucesso na manhã do sábado, permanecendo o doente na uti por 24 horas, e, na segunda ja se encontrava no apartamento.

        Nesse momento, durante a visita hospitalar habitual, Dr José foi questionado pelo Sr Walker sobre como seria o pagamento, já que o mesmo era estrangeiro e não dispunha de plano de saúde.

        Então, Dr José acertou os valores dos honorários com o inglês sem dificuldade, porém havia uma impasse de como seria realizado esse pagamento.

        Pra surpresa do médico, o paciente pediu a sua esposa, Sra Walker, para pegar sua carteira de documentos no armário do quarto e entregá-lo; assim que a recebeu, sr Walker a abriu, retirou o cartão de credito e o entregou ao médico: “tome, leve para sua clínica, faça a cobrança do valor acertado e o traga quando vier pro hospital amanhã! A minha senha é 1918”

        Dr José ficou estupefato com essa atitude do Sr Walker e retrucou logo em seguida: “não, Sr Walker, não posso levar seu cartão com sua senha!”

        Para surpresa de todos que estavam no quarto do hospital, Sr Walker justificou sua atitude: “Dr, o senhor me operou, eu confiei no senhor e lhe entreguei o meu corpo! Leve-o”

       

       

       

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

POR RONALD TELES: CICATRIZES

Ronald Teles: Cardiologista

Cicatrizes

Quero derramar minhas cicatrizes junto às tuas,
Para que o sangue que as lavou,
Marque nosso único momento,
Onde nos encontramos em júbilo e sofrimento,
Das dores que nos unem e também separam,
Das dúvidas que brilham em nossos olhos,
Como que dissessem outrora nada,
Mas com respostas claras,
A tudo que estremece nosso ser,
Que nossas cicatrizes se unam,
Para as batalhas do porvir,
Não abalando nossas dias,
Pois nós dois estamos aqui,
Defronte um  do outro,
Recolhidos em nosso tempo,
Talvez um pouco lento,
Mas sábio, em nos dizer,
Que venceremos o mundo,
Embora o amargor do tempo e das horas,
Diga muitas vezes: Não!
Mas nossas almas dançam em plagas calmas,
Em uma melodia suave,
Que invade nossos corações,
E mais uma vez nos lança,
Na eternidade de nossos desejos,
Que agora são um só,
No encontro de nosso beijo.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

CONVITE


A Diretoria da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional Ceará, convida a todos para o lançamento de "PISCAR DE OLHOS", a 43º antologia da Sobrames-CE. 


Local: Centro de Eventos do Ceará
Data: 10 de outubro de 2025 (sexta-feira)
Horário: 17 horas 

 

POR RONALD TELES: SAUDADES

 
Dr. Ronald Teles - Cardiologista

Saudades


Visitei uma cidade antiga 
Arrebatada pelo tempo ido,
Que se fez nova em um lampejo,
E de repente me pôs em lágrimas,
Quedei- me de arrependimento,
Pois voltei ao passado;
A nostalgia que maltrata,
Corrói o espírito,que se descontrói em lástimas,
Suspirando por um alento,
Acolhido na complacência da calma,
Sabendo que visitar o que se foi,
No chão não resolvido das angústias,
 É  um clamor pelas saudades
Que invadem nossas almas,
De aflições que não mais cabem
Dilacerando nosso ser,
Fragmentos de eternidade,
Reminiscências do tempo
Perdidos em pálidos momentos,
Nos convidando a um novo dia,
Acolhido pelo bom ânimo,
Significando uma nova poesia,
Sonhando tudo que nos projeta à frente,
Motivo para o hoje, o agora e sempre,
vaticínio de um novo amanhã,
 Olhos brilhantes na estação,
Local da nova partida,
Amor para nossas vidas

sábado, 27 de setembro de 2025

Por Ronald Teles - ROSAS

Dr. Ronald Teles - Cardiologista

ROSAS


Me cerco de flores,

De amores perfeitos,

Que brotam do meu peito,

E digo não ao ódio,

Resguardo- me de tua face crua,

Humores ácidos que escorrem de teu ser,

Destarte o bem que recebeste,

De tantos que te cercaram,

Em dolorosas vertigens,

Da tua carne atormentada,

Supliciada pelo tempo, por agudos momentos,

Diante tudo que te maltratava,

Agora aqui estamos,

Juntos novamente,

Aproveita a inocência e beleza das rosas,

Que se enchem da graça,

Que vem do alto,

Sem quereres de sol ou chuva,

Brilhando todo o dia,

Com pétalas suaves e molhadas,

Pela brisa e gotas lacrimosas,

Felicidade que não demora,

Mas não te diz nada,

Para que então um dia pressintas,

Que necessitas desta mesma graça,

Liberdade para tua alma

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

POR REBECA DIÓGENES: O TEMPO DAS HORAS E O FIM DO MUNDO

Rebeca Diógenes - Acadêmica de Medicina  

O Tempo das Horas e o Fim dos Mundos

Antigamente, a vida corria no compasso dos sinos da igreja e do apito do trem. O dia começava com o galo, terminava quando o sol se escondia, e o mundo parecia imenso e ao mesmo tempo simples. As conversas aconteciam na calçada, o tempo era medido pelo cheiro do café coado e pela rotina das estações. O futuro não se apressava — vinha lento, como chuva anunciada no horizonte.

Hoje, o tempo não cabe mais no relógio. As horas se dissolvem em telas luminosas, e a vida é contada em notificações. Conversamos menos com quem está ao lado e mais com quem está a quilômetros. O mundo, que antes parecia distante, agora cabe no bolso — mas, paradoxalmente, nunca pareceu tão esmagador. Falamos em progresso, mas nos perdemos em algoritmos; corremos contra o tempo, mas sempre chegamos atrasados.

E quanto ao fim do mundo? Talvez ele não venha com trombetas ou fogo dos céus, mas em pequenas doses cotidianas: no silêncio entre duas pessoas na mesma mesa, na pressa que devora o presente, na solidão de quem tem mil amigos virtuais e nenhum ombro real. O fim do mundo pode estar menos no planeta e mais dentro de nós, no instante em que esquecemos de viver como antes — com a calma de quem sabia esperar, com a simplicidade de quem reconhecia beleza no pouco.

Cecília Meireles, em sua delicada sabedoria, já nos lembrava que “a vida só é possível reinventada”. E talvez seja isso: o fim não é apenas destruição, mas o perigo de não reinventarmos a própria existência, de nos perdermos no ruído e esquecermos a poesia escondida nos gestos simples. Quando deixamos de reparar nas flores que nascem sem alarde ou no silêncio das estrelas, é como se começássemos a escrever, em silêncio, o nosso próprio apocalipse.

Talvez o mundo não acabe em explosão, mas em esquecimento. O fim não será um clarão, mas um piscar de olhos. E, quem sabe, um dia ainda olharemos para trás e veremos que o verdadeiro fim começou quando deixamos de olhar o céu — esse mesmo céu de Cecília, sempre aberto, sempre nos lembrando que “o tempo é a minha matéria, o tempo presente, pessoas presentes, a vida presente”.

 

 

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

POR RONALD TELES - TEU OLHAR

 

Dr, Ronald Teles - Cardiologista

Teu olhar


Vi minha vida nos teus olhos,

Refletida em passos frágeis,

Caminhados e postados,

Às  margens de nossos destinos,

Lágrimas escorridas em sussurros,

Pensamentos leves como o vento,

Que assolam em um lamento o passado;

Mas, eis me aqui de novo,

Fitando o sol do teu olhar,

Límpida estrada que me move,

Ao meu interior que tudo pode,

Até mesmo me perdoar,

Quando derramas esta luz dentro de mim,

E recalcitrante ainda erro,

Sabendo que me afasto de ti,

Então me olhas de novo,

E sinto a esperança,

Da paz de uma criança,

Em seu plácido sono,

Sabendo que mais um dia foi vencido,

E antes do sol haver partido,

Habitaste em meu coração

terça-feira, 19 de agosto de 2025

POR RONALD TELES: DESTINO

 


Destino

Tuas dores são caminhos inexplicáveis,
Que reverberam em tantos outros,
Que guardo em meu peito,
Mas não me dou o direito de decifrá- las,
Relíquias de novos valores,
Alegrias, amores ou rancores,
Abrasados pelas emoções,
Vivas em teu coração,
Já perdoados pelo tempo,
Descortinando novos rumos,
Avançando em auroras,
Que te acolhem por inteiro,
Te convidando a enxergar- te,
Dentro de si mesmo,
Onde finalmente repousarão, 
As asas da paz que elevam teu espírito,
Ao momento mágico e inaudito,
De um sorriso pleno,
Sem mais lamentos,
Pois encontrastes teu destino,
Eras um menino, que homem se tornou.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

POR RONALD TELES: PRESSA

 

Pressa

Corro contra o tempo,
Busco o último raio solar ,
Que encontrou o primeiro brilho da lua,
Perdido entre ponteiros de relógio,
Assinando a face clara do destino,
Que me conduziu como um menino,
E agora me fez só, comigo,
Sonhando com a plenitude da calma,
Essa mesma que afaga nossa alma,
Nos mostrando novos caminhos,
Não veredas confusas,
Mas avenidas banhadas de orvalho,
Enfeitadas com flores lindas,
Pavimentadas de louvor e regozijo,
Com tudo o que é preciso,
Para ver que ainda resta alento,
Para saber que não hajam  dolosos lamentos,
Por correr tanto contra o tempo,
Quando tudo que é bom, airoso e profundo,
Guardamos dentro de nossa alma e corações,
Transbordantes de brilhante amor,
Superando dores e cicatrizes,
 Nos libertando então do mundo