Total de visualizações de página

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

POR: JOSÉ WILSON DE SOUZA - POEMAS

Dr. José Wilson de Souza - Membro da Sobrames-CE

MEU BANCO DA PRACINHA

Procurei o meu banco, da pracinha,
Lembrei dos folguedos de crianças brincando,
Dos casais enamorados passeando,
Bem em frente, nossa igrejinha.
Aos pés do altar eu, sacristão. Rezando
Contrita em oração, minha avozinha

Minha cabeça ficou em um torvelinho.
Tive a visão de minha infância, doce encanto,
Quando eu e outras crianças alegres saltitantes,
Pulávamos felizes a “amarelinha”.

Sorriamos, cantando em grande algazarra
Entre as ramagens de jardins bem cuidados.
Felizes perseguíamos revoadas deborboletas
Troféus vivos da meninada

Éramos crianças. Como corríamos
Em busca de borboletas, vários matizes.
Sorriam apaixonados os casais sonhadores.
Na igrejinha, hoje Catedral, hinos de louvores.

A pracinha, hoje sem jardins e borboletas, está calçada.
Aquele banquinho da pracinha, qual o paradeiro?
Casais românticos não mais existem, nem os brinquedos.
Não encontrei nada, e com saudades faço caminhada.


FEBRE DE AMOR

Essa febre que sinto em todo o corpo
Que arde sem queimar, só maltratando.
Só aliviada com breves e roubados beijos
Que homeopaticamente vão aliviando

Gotas de suor caem... Malvada febre
Que maltrata o corpo e queima a pele
Hipertermia que aquece até o sol
Nunca sedará com Paracetamol


AMOR ITALIANO

Férias... Nos conhecemos. A vida em flor
Ela viera de um país distante, idiomas diferentes
Furtivos encontros, carinhos... . Sonhos... Juras de amor
Corpos, ainda tímidos, lançando as primeiras sementes.

Ela partiu... Cartas... Telefonemas... promessas de voltar
Depois o silêncio. Mais saudades... Muitas saudades a me atormentar
Onde estaria? A paixão de minha juventude me esqueceu?
Era só paixão? O amor nunca existiu, morreu?

Passados muitos anos, o reencontro, tantas coisas pra dizer e pra fazer
Corpos maduros, fogosos de desejos e saudades. Flamantes
Nossas mãos corriam pelos caminhos de nossos corpos amantes.
Nossas bocas às vezes repousavam em lagos úmidos... De prazer.

Emocionada dizia ao meu ouvido, “amore mio”, “amore mio”
Existia um segredo: o amor era nosso, nossos corpos não.
Fiquei sozinho. Ao meu lado a saudade, um grande vazio
Mais uma vez ela partiu. Voltou... Para sua dourada prisão.

Meu Deus, nem que seja meu último pedido:
Ainda quero ouvi-la dizer “Amore mio”, “Amore mio”

E eu, a dizer coisas de amor ao seu ouvido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário