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sexta-feira, 11 de março de 2016

POR: CELINA CÔRTE - TRAGÉDIA URBANA


 
Dra. Celina Côrte - Presidente da Sobrames-CE

Tragédia Urbana

 Publicado em 04/03/16, no jornal O POVO.
De acordo com estatística do Detran-CE, datada de dezembro de 2015, há no Estado 1.226.722 motos, com predomínio do Interior. A frota cearense é a terceira maior do País e a primeira do Nordeste. O relativo baixo custo, as facilidades oferecidas para aquisição, a agilidade de deslocamento, a utilização para fins profissionais além do lazer, a insuficiência e inadequação de transporte público, a substituição de veículos de tração animal por motorizados estão entre os motivos que propiciaram o crescimento do número de motocicletas circulantes e, como consequência, um expressivo aumento no número de vítimas no trânsito.
Este lamentável fato não é decorrente apenas da maior vulnerabilidade do motociclista ao contexto do trânsito, onde se observam o desrespeito, a falta de educação e gentileza, a demonstração de poder, o desprezo à direção defensiva etc. por parte dos motoristas. A negligência de motociclistas às normas básicas de segurança, arriscando-se em manobras bruscas, é nítida. Fazem ultrapassagens indevidas, circulam pelas ciclofaixas, não obedecem aos sinais de trânsito, andam na contramão, dirigem sob efeito de substâncias psicoativas…

Um profundo desprezo à própria vida e às alheias. Sobretudo no Interior, não é incomum vermos condutores sem capacete ou portando-o de forma inadequada (solto na cabeça ou preso ao cotovelo), sandálias soltas nos pés, dois ou mais passageiros na garupa. Muitos sequer possuem carteira de habilitação.

De janeiro a agosto de 2015, contabilizaram-se 1.674 vítimas fatais no trânsito do Ceará. Dentre essas, 742 eram motociclistas (44,32%). Entre as 7.737 vítimas não fatais, 4.366 eram motociclistas (56,43%). As vítimas de acidentes com motos ocupam cerca de 70% dos leitos do Instituto Dr. José Frota (IJF). Uma tragédia urbana, com vultosos prejuízos pessoais, familiares e sociais, devendo ser encarada como mais uma importante questão de saúde pública. 

É urgente dar-se um basta a esta realidade por meio de políticas públicas sérias, voltadas à prevenção, educação, fiscalização e repressão.

Celina Côrte Pinheiro

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