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Dr. Roberto A. Carneiro - Médico, Membro da SOBRAMES de Curitiba e da Academia Nacional de Medicina |
Voltando da minha
caminhada,três vezes na semana.Caminhada vespertina por volta das 19 horas,pois
no Verão em Curitiba,esta hora é quando começa o anoitecer.Minha caminhada,por
assim dizer,é pequena pois meus joelhos não permitem exageros.Minha idade já é
mais avançada e não posso abusar de grandes e maiores esforços.Meu tênis já me
apertava um pouco nos dedos,principalmente nos meus joanetes. Voltava
satisfeito de mais uma caminhada..Passos normais,pois acelerados nem
pensar.Passo nas caminhadas por um calçamento mal posto e que pode determinar
minha dores nos pés.Neste momento o percorrido é sem nenhuma viv’alma.As vezes um macróbio,tambem,
andante por mim cruzava.Automoveis e ônibus,assimcomo motos circulavam na
avenida próxima.Passava sempre por um parque,vizinho de meu prédio de moradia
,cercado por uma grade de ferro baixa e exibindo arvores altaneiras e com
alguns bancos ,toscos,poucos ,em madeira.As arvores tinham folhas nas copas
como é comum no Verão. Prestei atenção
no parque que estava vazio e num banco quase no meio das arvores frondosas e
altaneiras e contrastando com a relva rasteira e bem cortada,um vulto
solitário,sentado num banco.Aproximando deste vulto, que se tornou mais nítido
e ví que era um jovem,mais ou menos de uns 20 anos de idade,com calças
jeans,moleton pesado e amarelado e com seus cabelos compridos e desalinhados.Fiquei
curioso e adentrei no parque vazio e postei-me de frente ao banco habitado pelo
jovem solitário. ”Alô”,disse num breve cumprimento.O rapaz ergueu os olhos para
mim,olhos que me pareceram vagos e tristes e respondeu :”Alô”.Cheguei mais perto e perguntei demonstando minha
curiosidade;”O que está fazendo a estas hora,sentado num parque deserto e num
banco de madeira? Perguntei o obvio.O rapaz respondeu :”Não sei”.Perguntei de
novo:”Está esperando alguem ?Mas primeiro diga seu nome”.O rapaz colocou de
lado uma pequena cuia(ví que era de chimarrão,mas achei que não havia água quente
para fazer e sorver este chimarrão).O
jovem relutantemente respondeu:”Estou aqui esperando alguém,minha namorada”.De
novo perguntei:”Qual é o seu nome e de onde és?”.O rapaz com voz melacólica,sorveu
om pouco de seu chimarrão e educadamente respondeu:”Sou do Rio Grande do Sul
,pode me chamar de Fred e aguardo aqui sentado neste parque minha
querida namorada, que faz Curso de Letras comigo na Faculdade de Santa Maria”.Pensei
e retruquei:”Não crês que é um pouco insólito a estas horas estar
esperando?”.Silencio partiu do jovem.Demorou um pouco e respondeu-me:”Ela virá
encontar comigo tenho certeza para nós irmos”.Perguntei:!”Ir para onde,pois
estais num parque de Curitiba,espero, longe de sua cidade gaúcha.”O rapaz com
voz embargada respondeu a minha pergunta.!”Não sei ao certo,mas vamos para
algum lugar junto com amigos e colegas de faculdade,não sei ainda para onde.”
Perguntei se precisava de alguma cousa e ele disse:”Espero o meu futuro”.Deixei
o rapaz com seus pensamentos e fui com os meus .O parque continuava vazio e
havia uma aureola de tristeza profunda e solidaria pairando sobre este jovem
gaúcho.
A tristeza emanando de todos os cantos do
parque.Apressei os meus passos e pensativo fui até o meu vizinho prédio ,em que
morava.Pensamentos passaram pela minha cabeça.Entrei no meu qpartamento do
quarto andar e corri para minha ampla janela para olhar o parque.Num banco no meio
deste ,no meio de um nada pesado,estava o rapaz agora acompanhado de uma moçoila
mais ou menos de sua idade e abraçados ficavam.Fui até meu quarto,tomei em
seguida um banho,mergulhado em pensamentos e dúvidas sobre este meu encontro e
voltei minutos depois ,novamente para vislumbrar o parque e o banco que o casal
jovem estava sentado.Para meu espanto o
banco lá estava,mas os jovens não.No lugar em que estiveram sentados havia um
anel de luz de branco vívido e azuladacor,forte
e penetrante.Fiquei meio atordoado e parece que dentro da minha cabeça,como se
fosse uma renitente resposta que ouví ,uma voz calma e cheia de amor, que dizia”:São
meus filhos e vim para buscá-los ,não esqueça de orar por eles...”
Homenagem aos jovens de
Santa Maria....Roberto A.Carneiro 2013
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