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quarta-feira, 29 de abril de 2026

POR RONALD TELES: SINCRONICIDADE

Dr. Ronald Teles 

Sincronicidade

Há uma cidade linda e escondida,
Com ruas inauditas,
Torres iluminadas,
Perfumadas pelo dia,
Acalentadas pela noite,
Orvalhadas por teus olhos,
Repousando em meus sentimentos
Que grassam em intermitências 
E resvalam em meu coração
Arrebatado por ti
E por tudo o que significas,
Pois agora já somos um só...
E não há nada que nos separe,
Somos almas geminadas
Por nossa longa estrada
Que termina dentro de nós...
Jamais olvide  que nosso amor
Foi forjado por fogo e ventanias,
Ele brilha todo dia
Em um terno abraço 
Que nos envolve e propicia
A ternura e tecitura,
Da eternidade que nos espera
Em um plácido beijo,
Sempre saudoso do futuro,
Que nos acalentará
Em nosso infinito desejo.

terça-feira, 7 de abril de 2026

POR RONALD TELES: QUO VADIS

Dr. Ronald Teles 

Quo vadis


Tenho me cercado do tempo inclinado,
De suas escarpas afiadas
Que o fazem lento, ao mesmo tempo apressado,
Tenho me cercado de noites insones
Aplacadas por uma química indulgente,
Que faz dormir lentamente,
Invadindo o novo dia,
Me pondo em pé, mais uma vez,
Tenho me cercado do verde das plantas
Que copiam teus verdes olhos,
E me dão paz para seguir em frente,
Tenho me cercado de dias abrasivos e noites frias,
Com a chuva que prenuncia
A fartura e a esperança de melhores janeiros,
Tenho me fartado da inclemencia humana
Que desafia as virtudes,
Esbarrando na estultícia do egoísmo e brutalidade,
Tenho me cercado das orações maternas
Que buscam os céus, pedindo por minha saúde,
Tenho me cercado de minha solitude
Ela nunca me ilude, pois termina em meu âmago e minha verdade,
Tenho me cercado de minha fé,
Ela clama por mim e por quem amo,
Tenho me cercado de tudo e menos um pouco,
Tenho me cercado de divisas e permissões,
Tenho me cercado de tudo o que me faz melhor,
Tenho me cercado do fim e do começo,
Além do qual já não mereça estar só.

sexta-feira, 27 de março de 2026

POR RONALD TELES: PASSARINHO

Dr. Ronald Teles 

Passarinho


Ele dormia um silente sono, 
Na companhia inseparável de seu canarinho,
Melodioso e lindo pássaro,
Que sobrevoava seus sonhos de menino,
Agora os dois se foram,
Uma lâmina fria de aço cortou meu peito,
A saudade já sem jeito,
Dele e de seu lindo amiguinho,
Derramados em meu coração,
Pela sublime lembrança,
Da paz que emanava de seu semblante,
De seu peito repleto de carinho;
Esta ferida é nua e crua,
Sua ausência faz barulho,
Pois o bem se perpetua,
Com tudo o que foi dito e fez,
Sem nunca desejar troca,
Somente luz que se espalhou,
Iluminando todo o seu caminho,
E hoje seu quarto jaz só,
Mas cheio de brilho e esplendor,,
A orquestra está ao lado,
Em frondosas árvores cheias de pureza e calma,
Clamando sua eterna falta,
No canto de novos passarinhos

Dedico este poema ao meu sogro[ in memorian] Jonas Costa Nóbrega

sexta-feira, 13 de março de 2026

POR ÉDEN MOURA MENDONÇA: O MUNDO DAS PEQUENAS COISAS.

     
Éden Mendonça - Estudante Medicina 

     O MUNDO DAS PEQUENAS COISAS. 


      O quanto me parece valioso, em muito e muitas vezes, o mundo das pequenas coisas.
    Formiguinhas, no chuvisco, edificam castelinhos; ternurinhas e carinhos perpetuam paixõezinhas; vão letrinhas e letrinhas dando origem aos livrinhos; crianças, criancinhas, sonhos, sonhozinhos, e quanto a mim, antes das mitoses fiz-me unicelular: mísera estrutura… Disso, foi-se indo, indo o tempo, inventando-me, bem veja, até o presente-agora, em que ao pé do juazeiro eu me posso descansar — ora, miudezas: outrora fora ínfima semente o que hoje me garante a placidez à sombra fresca. Demais, em tal sossego, ao cerrar os olhos meus, alcançam-me os sonhos da primeira meninice — pois são doutas, as crianças, no que se refere ao mundo das pequenas coisas tais —, e o que há menor que os sonhos, que, contendo o infinito, cabem numa só cabeça? 
    Para mais, fora dos oníricos contornos, essas tão pequenas coisas hão de sempre conferir distinto redeslumbramento àqueles que, prestando-se a ouvir sinceramente, buscarem percebê-las: som tremendo que advém das minudências ao agirem, elas, tão despercebidas — retumbante, creia, mas só para os que ouvem… os sussurros desta vida. 
   Entretanto, há de se dizer, os homens, os homenzarrões, em suas gigantescas controvérsias, suas querelas desmedidas, em seu ódio desproporcional, seguem a entabular o seu Silêncio, o silêncio das grandezas capitais — calando aquilo que, brandinho, tenta sussurrar. Ai, quando fica a vida muda, muda de desventurada, o maior que prevalece — e o Mal é um colosso… 
   
   Cresça, imenso mundo, expanda-se, estique e se agigante!, eu vou seguindo as miudezas. Amo bem baixinho, sonho a cada instante, e talvez eu venha a ser pequeno douto, escritorzinho; ser, em suma, grão, somente — ou só.

POR RONALD TELES: ESPERANÇA

Dr. Ronald Teles 

Esperança

Guarde a esperança de meu olhar...
Não turve os tempos com as cores vermelhas do ódio,
Note a expressão de meus olhos,
Que buscam o amanhã com raios de sol,
Com crianças correndo no campo,
No enlevo de um novo encanto,
Das promessas lindas e divinas,
Que nos envolvem de paz;
Acalma teu egoísmo e maldade,
Que a tudo invade,
Roubando anos dourados de nossas vidas,
Abrindo feridas cruas em nossos corações,
Estes já combalidos pelas estultícias tuas,
Clamam pela paz!
Nosso planeta lindo agoniza,
E chama: El Shaday!
A ira divina se abaterá sobre vossas vidas sombrias,
Partiremos adiante, seguros que triufaremos,
Sobre a maldade e o veneno,
Que brotam de teus vis sentimentos,
O amor sempre vencerá o ódio,
Sua melodia transformará a terra,
E os homens de boa vontade,
O guardarão para a eternidade,
Da paz de nosso Deus.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

POR RONALD TELES: GRATIDÃO

Dr. Ronald Teles 

Gratidão

Agradeço teus olhos beneplácitos,
Que perdoam meus erros e passos em falso,
Aquiescem com ternura minha insegurança,
Meus medos atávicos
Que invadem meus caminhos tortuosos...
Obrigado por tua ternura,
Ela me deita em teu colo,
Aquecido por teu coração tão puro,
Fazendo- me ver um futuro brilhante
Me desenlaçando do passado amargo,
Me projetando além dos muros e dos murmúrios de minh'alma,
Que se tornam sons inescrutáveis
Logo traduzidos por teus ternos afagos,
Quão importante esta presença em minha vida!
A doce companhia e porto seguro,
Um lindo farol que brilha em um atol,
Me conduzindo pelos mares bravios de minha existência,
Que clama por um solo firme,
Longe das dúvidas e murmúrios,
Onde colheremos as rosas lindas e maravilhosas,
Perfume eterno de nossos quereres

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

POR RONALD TELES: DESEJO

Dr. Ronald Teles 

DESEJO 

Quero te dar nuvens do céu embaladas com raios de sol,
Quero te dar a brisa  que agita os arrebóis
Quero te dar água da chuva, que lava desgostos,
Quero te dar alegria da vida e do tempo,
Quero te dar sempre um novo dia, sem mais lamentos,
Quero te dar rosas multicores em um balé eterno,
Quero te dar o canto dos pássaros em sempiterno enlevo,
Quero te dar o vento que embaralha e espalha teus cabelos,
Quero te dar meu beijo , carregado de desejos,
Quero te dar meu coração,
Já sem nenhuma amarra,
Ele se abriu por inteiro para te dar amor puro,
Pois haja o que houver estaremos juntos,
E te darei eternamente tudo de mais precioso, eu juro,
Acordes de ouro, notas calentes,
De amor verdadeiro para nós dois.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

POR RONALD TELES: MÃOS

Dr. Ronald Teles 

MÃOS

Minhas mãos tocam as tuas no repouso da noite,
Na exaustão de mais um dia vencido,
Como se vida  escorresse através de suas linhas
Do tempo e de tantas outras,
Intercessões de nossos destinos,
Traçados divinamente em uma confluência explícita
Pelo amor que nós sentimos;
Mesmo ao toque suave,
No entremeio dos dedos,
Resvalando em nossos segredos,
Na verdade lições antigas aprendidas,
No vendaval da vida, talvez em crassos erros...
Sempre com a impressão de uma nova chance,
Pois o amor espreita atento,
Em música, em alento,
Uma fragrância suave,
Que a nós dois invade,
E eis que nossas mãos se apertam,
O calor então se propaga
Decretando almas gêmeas,
Pertença daqui e de outros mundos,
Bem além de tudo,
Sublime paixão e saudade

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

POR ÉDEN MOURA MENDONÇA: PARDALZINHO

 

Éden Moura - Membro Acadêmico da Sobrames-CE

"Pardalzinho"

   Muito mais silenciosa do que era de costume, a unidade que amiúde eu visitava assistiria outra vez à circunstância materialmente encontradiça que eu conheceria, no entanto, pela primeira vez. 

   Era sabido o que iria acontecer. Fora debatido, planejado e por fim tomara forma: dona Cândida, depois da viva intrepidez com que enfrentara o seu penar, havia então de achar descanso. Sob os cuidados da equipe e após as despedidas, era tempo de deixar.

   Presenciei os ocorridos como que do princípio. A admissão nas dependências, as instabilidades repentinas, a mansa recusa em resignar-se; o modo como andava, ela, de mãos dadas com o agora. Ainda me recordo dos seus doces dizeres, do seu tão lasso riso e das bênçãos que sobre nós ela teimava em derramar. Pois era toda em fé, num apaixonamento indizível pela vida... — e a fé enchia o leito, a paixão enchia os seres, agregando-nos, coadunando quem à dona Cândida podia se achegar. Tanto o era que, no derradeiro dia, apinhavam-se alguns daqueles que acabaram por amá-la, inevitavelmente, nem que por instante.

   Ali, defronte de sua maca, nós a observávamos como se observa alçar voo um pardalzinho. Este, outrora estático por sobre a fiação, torna à sua existência errante, cheia do seu fazer-se livre e do vento — não tão seu —; cheia de um céu imenso, enevoado, bem como do acaso que portanto há de buscar. Caberá dizer ainda que, se o pequeno o faz embevecido pelo seu canto tão próprio, avessamente o fazia a docíssima senhora: partia num silêncio que, contudo, como aquele chilro, era singular. Ora, se a melodia nos encanta por estimular nossos ouvidos e criar formas de dança, seu silêncio encantava ao agir do mesmo modo, mas por sobre as consciências  e dançávamos, assim, extasiados, sem o céu e sem o canto, sem o vento, sem o voo, sem pardal e seu acaso; dançávamos inertes, em instâncias mui distintas, nossos passos espirituais. Afinal, diante de nós, suspirava-lhe a vida, esvaindo-se, sumindo dos domínios da matéria fugidia, porém a sua alma, do contrário, rebentava no liberto, aos prantos e soluços tão comuns aos nascimentos — renovavam-se os votos que outrora ela fizera, ainda que, no tempo, não pudesse perceber.

— Sê feliz, minha menina!
E voou: doce e velho pardalzinho.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Por: Ronald Teles - Saudades

Dr. Ronald Teles - Cardiologista


 Saudades


Sinto saudades de tudo o que vi,

Também de tudo o que não vi,

Tudo talvez tão claro e tão escondido,

Em tropeços de minh'alma.

Paisagens diversas e caminhos abertos,

Quiçá,alhures vistos, 

Retos ou tortuosos,

Bem vindos ou dolorosos,

Necessários à minha saudade;

Que ora ri e chora,

Pelo passado inalcansável,

Pelo hoje talvez tangível 

Quem sabe um airoso futuro?

Permeado de minha saudade...

Sofro e sigo em frente,

Com sentimentos calados em meu peito, que gritam em um silêncio,

Que penso estarem aparentes,

Mas logo se tornam ausentes

E mais uma vez se espalham em cortes 

Resvalando em ondas eternas,

Plasmando- se em mil argumentos 

Que levam à uma eterna saudade,

Que mais uma vez invade,

Tudo que é saudoso em mim

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

POR RONALD TELES: NOVA VIAGEM



Dr. Ronald Teles 

NOVA VIAGEM 

Teus pensamentos estão vivos,
Envoltos por feixes de tempo,
Que os projetam no infinito,
Mas também perto de ti,
Sonhos e desejos latentes,
Algoritmos talvez sem sentido,
Em uma lógica incerta,
Que te confunde e também liberta
De dúvidas passadas,
Juntas por toda a estrada,
Que assumistes seguir,
Estanque por um momento,
Mas novamente alçada ao futuro,
De passos retos,
Ditames de um coração,
Alquimias de emoções,
Mistura de alegrias e tristezas,
Arremetidas a um novo amanhã,
Onde buscarás o brilho ora aplacado,
E mais uma vez encontrado,
Em impressões improváveis,
De grande alvura e brilho,
Renascidas para tua mais nova viagem,
Esta,ao teu interior,
Onde estará
Teu verdadeiro destino e amor,
Na paz de tua alma,
Na profundidade de teu ser

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

POR RONALD TELES: DIVERSO

 


Diverso

Antigos e novos amores,  agora postos sob a esteira do tempo,
Caríciados por tantos lamentos,
De olhos que se buscavam,
E agora não...
Abissal falta,
De braços envolvidos em um novo encontro,
Hoje fugidios por dúvidas remidas,
Mas talvez não resgatadas,
Lançadas no passado,
De uma lágrima fortuita,
Logo expressa de forma crua,
Que molha tua estrada,
Mas não tem tua atenção,
Mesmo rogada em voz alta,
Com gritos e desvarios,
À surda escuta que agora envolve teu ser,
Mundo agora diverso ou o anverso,
Deságue de frios sentimentos,
Que são recolhidos em teu peito,
Como um doloroso presságio ,
Do amor que não mais possui,
E talvez pudesse me dar,
Iluminando meu novo dia.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

POR REBECA DIÓGENES: O OFÍCIO DE VER

 

Rebeca Diógenes  

O Ofício de Ver

      Há um requinte silencioso no exercício da medicina que não cabe nos livros, nem se alcança por decorebas de protocolos. É uma arte antiga, quase aristocrática, que exige do profissional algo raríssimo nos tempos de urgência: um olhar capaz de enxergar além da superfície.
      Porque, antes de ser ciência, a medicina é um trato fino com o humano.
    A cada consulta, desfilam histórias, medos, perdas e esperanças envoltas em queixas rápidas e exames impressos. E, entre uma pergunta e outra, existe uma delicadeza que separa o médico que apenas atende do médico que verdadeiramente percebe: o gesto atento.
     É ele que capta o tremor sutil de quem disfarça a angústia.É ele que distingue o silêncio carregado de quem não sabe como pedir ajuda.
       É ele que interpreta a ausência repetida do paciente não como descuido, mas como consequência de uma vida que não coube no relógio nem no transporte público. É ele que vê, na mãe apreensiva, mais do que um quadro febril — vê o fardo invisível de quem cuida de todos, menos dela mesma.
    A falta desse olhar é, talvez, a maior carência contemporânea.Não faltam tecnologias, cursos, telas e métricas. Faltam olhos que saibam pousar com suavidade sobre o outro.
     Em um mundo onde tudo é rápido, o verdadeiro luxo é a atenção plena. E, na medicina, esse luxo salva.
        Há uma nobreza discreta no médico que se inclina para escutar o que não foi dito; que percebe nuances, que interpreta gestos mínimos, que devolve ao paciente não apenas um diagnóstico, mas a dignidade de ser visto, reconhecido e respeitado.
     Nessa profissão, o olhar atento é mais que habilidade técnica — é patrimônio afetivo, instrumento de cura, lapidação da empatia. É ele que transforma consultas apressadas em encontros humanos; que converte ciência em arte; que resgata o sentido mais puro da palavra cuidado.
   Porque, no fim, a medicina que verdadeiramente ilumina não é a que domina máquinas, mas a que domina o olhar. E quem vê o invisível toca, com elegância, o que há de mais essencial em cada vida que lhe é confiada.
 

terça-feira, 18 de novembro de 2025

POR RONALD TELES: FILHOS


FILHOS

Fugiram de minhas mãos 
Encontrei- os novamente em meus braços,
Na nostalgia do espaço,
Que o tempo deixou,
Lastreando lágrimas de saudade,
Por cada minuto, hora e dia,
Que passaram junto a mim,
Quisera eu tê- los bem perto,
Mas sei que o destino se fez certo,
Caminhando para além de meus olhos,
Que sempre se perdem no firmamento,
Em um uníssono lamento,
Desta falta que me basta,
Do perfume oloroso de jasmim,
Que se mistura com minha lembrança,
De doces e pequenas crianças,
Que um dia afaguei,
Agora olho com saudades,
O tempo que se espalhou,
Mas que agora se juntou,
Bem dentro aqui,
Meus filhos nunca partiram,
Estão morando eternamente,
Em meu coração, que os sente e sempre os sentirá,
Como um sonho lindo,
Que termina dizendo,
Do nosso eterno amor.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

POR RONALD TELES: PERFUME


Dr. Ronald Teles 

PERFUME

Te avistei sentada, em uma praça linda,
Com a natureza te cercando,
Beijando tua face com  a brisa da tarde,
O sol quase findo,
Com lampejos de tua sombra,
Que invade meus olhos,
Te percebendo longe e perto,
Certo que ainda me pertences,
Embora o sol partindo,
Cristalize uma prece,
Arremetida aos céus,
Retornando ao meu coração,
Que avidamente à recebe,
E espalha dentro do meu ser,
O sentimento cálido de estar contigo,
Avançando dia a dia com um sorriso,
Como se a noite beijasse o dia,
Em um fortuito encontro,
Nos invadindo de uma nova emoção,
Dizendo que não há dúvidas sobre nós,
Pois nosso amor é colhido pelo vento,
Arremessado como pétalas de rosas,
Que se desprendem e bailam ao infinito,
Mas caem lentamente aos nossos pés,
Colorindo o chão da vida,
Com o perfume da chegada e da partida,
Somente de nós dois.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

POR FÁTIMA AZEVÊDO: MEDITANDO HOJE APÓS O CAFÉ DA MANHÃ

Dra. Fátima Azevêdo - Médica Geneticista

 Meditando hoje após o Café da Manhã

A vida é uma dádiva e uma bênção. Merece ser celebrada todos os dias como forma de gratidão a Deus e ao Universo. Mesmo em dias cinzentos, devemos agradecer pela vida, porque sempre haverá luz no fim do túnel. Sempre haverá vida, e vida plena, porque somos seres espirituais, e o espírito vive eternamente.
Pensar na finitude da vida e, ainda assim, sentir gratidão, é algo que só bem nos fará. Alegria no coração é preciso ter, alimentar e perseguir até encontrá-la.
Se nosso foco se limitar aos acontecimentos do mundo, às guerras insanas, à inflação galopante em nosso país, às injustiças cometidas pelos homens da lei, à desordem político-social a que somos submetidos, às doenças em nossos familiares, à tristeza pela existência dos sem-teto, se pensarmos apenas em tudo aquilo que está além da nossa capacidade de resolver, entraremos em depressão profunda e não solucionaremos problema algum.
Portanto, fazer arte, escrever, dançar, cuidar das plantas, estar em contato com a natureza, cozinhar para si e para quem se ama, realizar um trabalho voluntário, aproximar-se de crianças e idosos, ambos têm tanto a nos ensinar , e cultivar a gratidão no coração, é roteiro certo para dar de cara com a alegria.
E tenha certeza: a vida sempre nos abraçará afirmativamente.


Fátima Azevêdo
23/10/2025

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

POR RICARDO PESSOA: RESULTADO DO VESTIBULAR

 
Dr. Ricardo Pessoa  

Resultado do Vestibular 


  - Renato! Renato! Acorde, são 8:30 da manhã! Acabei de ouvir no radio que o resultado do vestibular será divulgado as 11:30. Vá se ajeitar, meu filho! - Comentou Sr Barbosa, pai do Renato. 
  Renato abriu os olhos, ficou pensativo na cama por cerca de 5 minutos e observou sua escrivaninha com seus objetos, local onde esteve sentado por cerca de 8 horas por dia, durante todo o ano do pré-vestibular. Levantou-se e ao abrir seu guarda roupa, pegou e folheou todos os rascunhos dos exercícios de matemática, física e química resolvidos durante os estudos, feitos de papéis de extratos bancários dados por sua tia que trabalhava no setor financeiro de um banco estatal; e pensou: como eu estudei! 
  Ao chegar na cozinha para tomar o café da manha, após tomar o banho e realizar higiene matinais, observou o senhor Barbosa colocando algumas cervejas no freezer. 
  - Papai, o que é isso? São 9 horas da manhã e não sabemos se irei passar ou não.. - perguntou Renato. 
  - Não tem problema meu filho, se não bebermos de alegria, beberemos de tristeza. - retrucou seu pai, sem parar de abastecer o congelador com sua bebida preferida, a Antarctica. 
  Após o desjejum e algumas conversas, foi para o deck organizar o local onde escutariam o resultado, que seria narrado na radio, nominalmente todos os aprovados em todos os cursos da universidade pública. 
  Renato pegou um sistema de som 3 em 1, Sony, e o colocou em uma pequena mesa com algumas cadeiras ao redor e uma fita cassete TKR para gravar toda divulgação do resultado. Testou gravando e escutando uma pequena leitura de seu nome. Estava tudo pronto. 
  A espera pelo início durou uma “eternidade”, quando o radialista avisou que começaria a ler os aprovados por ordem de classificação, deixando os cursos de medicina e direito para o final, porque eram muitas vagas. 
 Todos nervosos falando sobre as possibilidades de aprovação enquanto eram lidos os novos universitários dos outros cursos. Porém, ao chegar na Odontologia, ficaram todos atentos e iniciaram a gravação porque Renato tinha uma prima, Samanta, que estudaram juntos toda a vida escolar, e ela estava concorrendo a esse curso. 
  Após nome de Samanta ser lido pelo locutor, todos gritaram, já que não era um nome comum, porém não ouviram o sobrenome; dai, tiveram que confirmar a aprovação após rebobinarem a fita e escutarem o nome completo de Samanta. Imediatamente, o telefone tocou, era a mãe dela, perguntando se realmente era ela, porque também gritaram de alegria antes da escuta completa. Confirmaram e parabenizaram-na. 
  O nervosismo aumentou. Estava chegando a hora. A prima já comemorava a aprovação. 
  Cerca de 10 minutos depois, o radialista pediu um intervalo comercial para beber água porque iria iniciar os cursos mais longos… mais espera e a taquicardia aumentando. 
  Sentaram muito atentos, silêncio sepulcral, o nervosismo estampado nos rostos. Renato apertou a tecla de gravação e os nomes começaram a ser lidos. Alguns nomes conhecidos foram aparecendo, porém não tinham como contar o numero que faltava, o que tornava maior a apreensão. E lá pelo meio, saiu o nome: Renato ……….! Todos evitaram comemorar antes de ouvir o nome completo. Foi a maior gritaria, abraços e choros emocionados entre pais, irmãos e filhos. 
  Logo em seguida, Renato sentiu um ovo estralando em sua cabeça e uma tesoura começando a cortar seu cabelo, que deu lugar a um barbeador elétrico, para raspar no “zero”. Brindes com a cerveja que já se encontrava gelada. Uma festa!! 
  Seus amigos e primos começaram a aparecer, inclusive a Samanta, e todos comemoraram por mais 24 horas a aprovação na universidade ouvindo inúmeras vezes as gravações.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

POR RICARDO PESSOA: O CORPO E O CARTÃO DE CRÉDITO

 

Dr. Ricardo Pessoa - Endoscopista Digestivo 

   O corpo e o cartão de crédito

            Era uma sexta feira a tarde, quando Dr José viu seu celular com 3 ligações e uma mensagem de outro colega dizendo: “assim que puder, me liga”.

        José prontamente atende o pedido do amigo e o telefonou. Era uma solicitação de realização de um procedimento de urgência em um paciente de meia idade, Sr Walker, estrangeiro, que se encontrava com um quadro agudo que precisava ser submetido a um tratamento com brevidade para evitar complicações e diminuir o risco de morte.

        Dr José prontamente montou sua equipe e se encaminhou ao hospital para realizar o ato cirúrgico e aliviar o sofrimento daquele enfermo, sem mesmo perguntar como seria a forma de pagamento já que era um caso de urgência e um pedido aflito de um amigo seu.

        O procedimento foi realizado com sucesso na manhã do sábado, permanecendo o doente na uti por 24 horas, e, na segunda ja se encontrava no apartamento.

        Nesse momento, durante a visita hospitalar habitual, Dr José foi questionado pelo Sr Walker sobre como seria o pagamento, já que o mesmo era estrangeiro e não dispunha de plano de saúde.

        Então, Dr José acertou os valores dos honorários com o inglês sem dificuldade, porém havia uma impasse de como seria realizado esse pagamento.

        Pra surpresa do médico, o paciente pediu a sua esposa, Sra Walker, para pegar sua carteira de documentos no armário do quarto e entregá-lo; assim que a recebeu, sr Walker a abriu, retirou o cartão de credito e o entregou ao médico: “tome, leve para sua clínica, faça a cobrança do valor acertado e o traga quando vier pro hospital amanhã! A minha senha é 1918”

        Dr José ficou estupefato com essa atitude do Sr Walker e retrucou logo em seguida: “não, Sr Walker, não posso levar seu cartão com sua senha!”

        Para surpresa de todos que estavam no quarto do hospital, Sr Walker justificou sua atitude: “Dr, o senhor me operou, eu confiei no senhor e lhe entreguei o meu corpo! Leve-o”

       

       

       

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

POR RONALD TELES: CICATRIZES

Ronald Teles: Cardiologista

Cicatrizes

Quero derramar minhas cicatrizes junto às tuas,
Para que o sangue que as lavou,
Marque nosso único momento,
Onde nos encontramos em júbilo e sofrimento,
Das dores que nos unem e também separam,
Das dúvidas que brilham em nossos olhos,
Como que dissessem outrora nada,
Mas com respostas claras,
A tudo que estremece nosso ser,
Que nossas cicatrizes se unam,
Para as batalhas do porvir,
Não abalando nossas dias,
Pois nós dois estamos aqui,
Defronte um  do outro,
Recolhidos em nosso tempo,
Talvez um pouco lento,
Mas sábio, em nos dizer,
Que venceremos o mundo,
Embora o amargor do tempo e das horas,
Diga muitas vezes: Não!
Mas nossas almas dançam em plagas calmas,
Em uma melodia suave,
Que invade nossos corações,
E mais uma vez nos lança,
Na eternidade de nossos desejos,
Que agora são um só,
No encontro de nosso beijo.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

CONVITE


A Diretoria da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional Ceará, convida a todos para o lançamento de "PISCAR DE OLHOS", a 43º antologia da Sobrames-CE. 


Local: Centro de Eventos do Ceará
Data: 10 de outubro de 2025 (sexta-feira)
Horário: 17 horas