Total de visualizações de página

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

POR RONALD TELES: GRATIDÃO

Dr. Ronald Teles 

Gratidão

Agradeço teus olhos beneplácitos,
Que perdoam meus erros e passos em falso,
Aquiescem com ternura minha insegurança,
Meus medos atávicos
Que invadem meus caminhos tortuosos...
Obrigado por tua ternura,
Ela me deita em teu colo,
Aquecido por teu coração tão puro,
Fazendo- me ver um futuro brilhante
Me desenlaçando do passado amargo,
Me projetando além dos muros e dos murmúrios de minh'alma,
Que se tornam sons inescrutáveis
Logo traduzidos por teus ternos afagos,
Quão importante esta presença em minha vida!
A doce companhia e porto seguro,
Um lindo farol que brilha em um atol,
Me conduzindo pelos mares bravios de minha existência,
Que clama por um solo firme,
Longe das dúvidas e murmúrios,
Onde colheremos as rosas lindas e maravilhosas,
Perfume eterno de nossos quereres

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

POR RONALD TELES: DESEJO

Dr. Ronald Teles 

DESEJO 

Quero te dar nuvens do céu embaladas com raios de sol,
Quero te dar a brisa  que agita os arrebóis
Quero te dar água da chuva, que lava desgostos,
Quero te dar alegria da vida e do tempo,
Quero te dar sempre um novo dia, sem mais lamentos,
Quero te dar rosas multicores em um balé eterno,
Quero te dar o canto dos pássaros em sempiterno enlevo,
Quero te dar o vento que embaralha e espalha teus cabelos,
Quero te dar meu beijo , carregado de desejos,
Quero te dar meu coração,
Já sem nenhuma amarra,
Ele se abriu por inteiro para te dar amor puro,
Pois haja o que houver estaremos juntos,
E te darei eternamente tudo de mais precioso, eu juro,
Acordes de ouro, notas calentes,
De amor verdadeiro para nós dois.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

POR RONALD TELES: MÃOS

Dr. Ronald Teles 

MÃOS

Minhas mãos tocam as tuas no repouso da noite,
Na exaustão de mais um dia vencido,
Como se vida  escorresse através de suas linhas
Do tempo e de tantas outras,
Intercessões de nossos destinos,
Traçados divinamente em uma confluência explícita
Pelo amor que nós sentimos;
Mesmo ao toque suave,
No entremeio dos dedos,
Resvalando em nossos segredos,
Na verdade lições antigas aprendidas,
No vendaval da vida, talvez em crassos erros...
Sempre com a impressão de uma nova chance,
Pois o amor espreita atento,
Em música, em alento,
Uma fragrância suave,
Que a nós dois invade,
E eis que nossas mãos se apertam,
O calor então se propaga
Decretando almas gêmeas,
Pertença daqui e de outros mundos,
Bem além de tudo,
Sublime paixão e saudade

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

POR ÉDEN MOURA MENDONÇA: PARDALZINHO

 

Éden Moura - Membro Acadêmico da Sobrames-CE

"Pardalzinho"

   Muito mais silenciosa do que era de costume, a unidade que amiúde eu visitava assistiria outra vez à circunstância materialmente encontradiça que eu conheceria, no entanto, pela primeira vez. 

   Era sabido o que iria acontecer. Fora debatido, planejado e por fim tomara forma: dona Cândida, depois da viva intrepidez com que enfrentara o seu penar, havia então de achar descanso. Sob os cuidados da equipe e após as despedidas, era tempo de deixar.

   Presenciei os ocorridos como que do princípio. A admissão nas dependências, as instabilidades repentinas, a mansa recusa em resignar-se; o modo como andava, ela, de mãos dadas com o agora. Ainda me recordo dos seus doces dizeres, do seu tão lasso riso e das bênçãos que sobre nós ela teimava em derramar. Pois era toda em fé, num apaixonamento indizível pela vida... — e a fé enchia o leito, a paixão enchia os seres, agregando-nos, coadunando quem à dona Cândida podia se achegar. Tanto o era que, no derradeiro dia, apinhavam-se alguns daqueles que acabaram por amá-la, inevitavelmente, nem que por instante.

   Ali, defronte de sua maca, nós a observávamos como se observa alçar voo um pardalzinho. Este, outrora estático por sobre a fiação, torna à sua existência errante, cheia do seu fazer-se livre e do vento — não tão seu —; cheia de um céu imenso, enevoado, bem como do acaso que portanto há de buscar. Caberá dizer ainda que, se o pequeno o faz embevecido pelo seu canto tão próprio, avessamente o fazia a docíssima senhora: partia num silêncio que, contudo, como aquele chilro, era singular. Ora, se a melodia nos encanta por estimular nossos ouvidos e criar formas de dança, seu silêncio encantava ao agir do mesmo modo, mas por sobre as consciências  e dançávamos, assim, extasiados, sem o céu e sem o canto, sem o vento, sem o voo, sem pardal e seu acaso; dançávamos inertes, em instâncias mui distintas, nossos passos espirituais. Afinal, diante de nós, suspirava-lhe a vida, esvaindo-se, sumindo dos domínios da matéria fugidia, porém a sua alma, do contrário, rebentava no liberto, aos prantos e soluços tão comuns aos nascimentos — renovavam-se os votos que outrora ela fizera, ainda que, no tempo, não pudesse perceber.

— Sê feliz, minha menina!
E voou: doce e velho pardalzinho.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Por: Ronald Teles - Saudades

Dr. Ronald Teles - Cardiologista


 Saudades


Sinto saudades de tudo o que vi,

Também de tudo o que não vi,

Tudo talvez tão claro e tão escondido,

Em tropeços de minh'alma.

Paisagens diversas e caminhos abertos,

Quiçá,alhures vistos, 

Retos ou tortuosos,

Bem vindos ou dolorosos,

Necessários à minha saudade;

Que ora ri e chora,

Pelo passado inalcansável,

Pelo hoje talvez tangível 

Quem sabe um airoso futuro?

Permeado de minha saudade...

Sofro e sigo em frente,

Com sentimentos calados em meu peito, que gritam em um silêncio,

Que penso estarem aparentes,

Mas logo se tornam ausentes

E mais uma vez se espalham em cortes 

Resvalando em ondas eternas,

Plasmando- se em mil argumentos 

Que levam à uma eterna saudade,

Que mais uma vez invade,

Tudo que é saudoso em mim

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

POR RONALD TELES: NOVA VIAGEM



Dr. Ronald Teles 

NOVA VIAGEM 

Teus pensamentos estão vivos,
Envoltos por feixes de tempo,
Que os projetam no infinito,
Mas também perto de ti,
Sonhos e desejos latentes,
Algoritmos talvez sem sentido,
Em uma lógica incerta,
Que te confunde e também liberta
De dúvidas passadas,
Juntas por toda a estrada,
Que assumistes seguir,
Estanque por um momento,
Mas novamente alçada ao futuro,
De passos retos,
Ditames de um coração,
Alquimias de emoções,
Mistura de alegrias e tristezas,
Arremetidas a um novo amanhã,
Onde buscarás o brilho ora aplacado,
E mais uma vez encontrado,
Em impressões improváveis,
De grande alvura e brilho,
Renascidas para tua mais nova viagem,
Esta,ao teu interior,
Onde estará
Teu verdadeiro destino e amor,
Na paz de tua alma,
Na profundidade de teu ser

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

POR RONALD TELES: DIVERSO

 


Diverso

Antigos e novos amores,  agora postos sob a esteira do tempo,
Caríciados por tantos lamentos,
De olhos que se buscavam,
E agora não...
Abissal falta,
De braços envolvidos em um novo encontro,
Hoje fugidios por dúvidas remidas,
Mas talvez não resgatadas,
Lançadas no passado,
De uma lágrima fortuita,
Logo expressa de forma crua,
Que molha tua estrada,
Mas não tem tua atenção,
Mesmo rogada em voz alta,
Com gritos e desvarios,
À surda escuta que agora envolve teu ser,
Mundo agora diverso ou o anverso,
Deságue de frios sentimentos,
Que são recolhidos em teu peito,
Como um doloroso presságio ,
Do amor que não mais possui,
E talvez pudesse me dar,
Iluminando meu novo dia.