Total de visualizações de página

sexta-feira, 27 de março de 2026

POR RONALD TELES: PASSARINHO

Dr. Ronald Teles 

Passarinho


Ele dormia um silente sono, 
Na companhia inseparável de seu canarinho,
Melodioso e lindo pássaro,
Que sobrevoava seus sonhos de menino,
Agora os dois se foram,
Uma lâmina fria de aço cortou meu peito,
A saudade já sem jeito,
Dele e de seu lindo amiguinho,
Derramados em meu coração,
Pela sublime lembrança,
Da paz que emanava de seu semblante,
De seu peito repleto de carinho;
Esta ferida é nua e crua,
Sua ausência faz barulho,
Pois o bem se perpetua,
Com tudo o que foi dito e fez,
Sem nunca desejar troca,
Somente luz que se espalhou,
Iluminando todo o seu caminho,
E hoje seu quarto jaz só,
Mas cheio de brilho e esplendor,,
A orquestra está ao lado,
Em frondosas árvores cheias de pureza e calma,
Clamando sua eterna falta,
No canto de novos passarinhos

Dedico este poema ao meu sogro[ in memorian] Jonas Costa Nóbrega

sexta-feira, 13 de março de 2026

POR ÉDEN MOURA MENDONÇA: O MUNDO DAS PEQUENAS COISAS.

     
Éden Mendonça - Estudante Medicina 

     O MUNDO DAS PEQUENAS COISAS. 


      O quanto me parece valioso, em muito e muitas vezes, o mundo das pequenas coisas.
    Formiguinhas, no chuvisco, edificam castelinhos; ternurinhas e carinhos perpetuam paixõezinhas; vão letrinhas e letrinhas dando origem aos livrinhos; crianças, criancinhas, sonhos, sonhozinhos, e quanto a mim, antes das mitoses fiz-me unicelular: mísera estrutura… Disso, foi-se indo, indo o tempo, inventando-me, bem veja, até o presente-agora, em que ao pé do juazeiro eu me posso descansar — ora, miudezas: outrora fora ínfima semente o que hoje me garante a placidez à sombra fresca. Demais, em tal sossego, ao cerrar os olhos meus, alcançam-me os sonhos da primeira meninice — pois são doutas, as crianças, no que se refere ao mundo das pequenas coisas tais —, e o que há menor que os sonhos, que, contendo o infinito, cabem numa só cabeça? 
    Para mais, fora dos oníricos contornos, essas tão pequenas coisas hão de sempre conferir distinto redeslumbramento àqueles que, prestando-se a ouvir sinceramente, buscarem percebê-las: som tremendo que advém das minudências ao agirem, elas, tão despercebidas — retumbante, creia, mas só para os que ouvem… os sussurros desta vida. 
   Entretanto, há de se dizer, os homens, os homenzarrões, em suas gigantescas controvérsias, suas querelas desmedidas, em seu ódio desproporcional, seguem a entabular o seu Silêncio, o silêncio das grandezas capitais — calando aquilo que, brandinho, tenta sussurrar. Ai, quando fica a vida muda, muda de desventurada, o maior que prevalece — e o Mal é um colosso… 
   
   Cresça, imenso mundo, expanda-se, estique e se agigante!, eu vou seguindo as miudezas. Amo bem baixinho, sonho a cada instante, e talvez eu venha a ser pequeno douto, escritorzinho; ser, em suma, grão, somente — ou só.

POR RONALD TELES: ESPERANÇA

Dr. Ronald Teles 

Esperança

Guarde a esperança de meu olhar...
Não turve os tempos com as cores vermelhas do ódio,
Note a expressão de meus olhos,
Que buscam o amanhã com raios de sol,
Com crianças correndo no campo,
No enlevo de um novo encanto,
Das promessas lindas e divinas,
Que nos envolvem de paz;
Acalma teu egoísmo e maldade,
Que a tudo invade,
Roubando anos dourados de nossas vidas,
Abrindo feridas cruas em nossos corações,
Estes já combalidos pelas estultícias tuas,
Clamam pela paz!
Nosso planeta lindo agoniza,
E chama: El Shaday!
A ira divina se abaterá sobre vossas vidas sombrias,
Partiremos adiante, seguros que triufaremos,
Sobre a maldade e o veneno,
Que brotam de teus vis sentimentos,
O amor sempre vencerá o ódio,
Sua melodia transformará a terra,
E os homens de boa vontade,
O guardarão para a eternidade,
Da paz de nosso Deus.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

POR RONALD TELES: GRATIDÃO

Dr. Ronald Teles 

Gratidão

Agradeço teus olhos beneplácitos,
Que perdoam meus erros e passos em falso,
Aquiescem com ternura minha insegurança,
Meus medos atávicos
Que invadem meus caminhos tortuosos...
Obrigado por tua ternura,
Ela me deita em teu colo,
Aquecido por teu coração tão puro,
Fazendo- me ver um futuro brilhante
Me desenlaçando do passado amargo,
Me projetando além dos muros e dos murmúrios de minh'alma,
Que se tornam sons inescrutáveis
Logo traduzidos por teus ternos afagos,
Quão importante esta presença em minha vida!
A doce companhia e porto seguro,
Um lindo farol que brilha em um atol,
Me conduzindo pelos mares bravios de minha existência,
Que clama por um solo firme,
Longe das dúvidas e murmúrios,
Onde colheremos as rosas lindas e maravilhosas,
Perfume eterno de nossos quereres

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

POR RONALD TELES: DESEJO

Dr. Ronald Teles 

DESEJO 

Quero te dar nuvens do céu embaladas com raios de sol,
Quero te dar a brisa  que agita os arrebóis
Quero te dar água da chuva, que lava desgostos,
Quero te dar alegria da vida e do tempo,
Quero te dar sempre um novo dia, sem mais lamentos,
Quero te dar rosas multicores em um balé eterno,
Quero te dar o canto dos pássaros em sempiterno enlevo,
Quero te dar o vento que embaralha e espalha teus cabelos,
Quero te dar meu beijo , carregado de desejos,
Quero te dar meu coração,
Já sem nenhuma amarra,
Ele se abriu por inteiro para te dar amor puro,
Pois haja o que houver estaremos juntos,
E te darei eternamente tudo de mais precioso, eu juro,
Acordes de ouro, notas calentes,
De amor verdadeiro para nós dois.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

POR RONALD TELES: MÃOS

Dr. Ronald Teles 

MÃOS

Minhas mãos tocam as tuas no repouso da noite,
Na exaustão de mais um dia vencido,
Como se vida  escorresse através de suas linhas
Do tempo e de tantas outras,
Intercessões de nossos destinos,
Traçados divinamente em uma confluência explícita
Pelo amor que nós sentimos;
Mesmo ao toque suave,
No entremeio dos dedos,
Resvalando em nossos segredos,
Na verdade lições antigas aprendidas,
No vendaval da vida, talvez em crassos erros...
Sempre com a impressão de uma nova chance,
Pois o amor espreita atento,
Em música, em alento,
Uma fragrância suave,
Que a nós dois invade,
E eis que nossas mãos se apertam,
O calor então se propaga
Decretando almas gêmeas,
Pertença daqui e de outros mundos,
Bem além de tudo,
Sublime paixão e saudade

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

POR ÉDEN MOURA MENDONÇA: PARDALZINHO

 

Éden Moura - Membro Acadêmico da Sobrames-CE

"Pardalzinho"

   Muito mais silenciosa do que era de costume, a unidade que amiúde eu visitava assistiria outra vez à circunstância materialmente encontradiça que eu conheceria, no entanto, pela primeira vez. 

   Era sabido o que iria acontecer. Fora debatido, planejado e por fim tomara forma: dona Cândida, depois da viva intrepidez com que enfrentara o seu penar, havia então de achar descanso. Sob os cuidados da equipe e após as despedidas, era tempo de deixar.

   Presenciei os ocorridos como que do princípio. A admissão nas dependências, as instabilidades repentinas, a mansa recusa em resignar-se; o modo como andava, ela, de mãos dadas com o agora. Ainda me recordo dos seus doces dizeres, do seu tão lasso riso e das bênçãos que sobre nós ela teimava em derramar. Pois era toda em fé, num apaixonamento indizível pela vida... — e a fé enchia o leito, a paixão enchia os seres, agregando-nos, coadunando quem à dona Cândida podia se achegar. Tanto o era que, no derradeiro dia, apinhavam-se alguns daqueles que acabaram por amá-la, inevitavelmente, nem que por instante.

   Ali, defronte de sua maca, nós a observávamos como se observa alçar voo um pardalzinho. Este, outrora estático por sobre a fiação, torna à sua existência errante, cheia do seu fazer-se livre e do vento — não tão seu —; cheia de um céu imenso, enevoado, bem como do acaso que portanto há de buscar. Caberá dizer ainda que, se o pequeno o faz embevecido pelo seu canto tão próprio, avessamente o fazia a docíssima senhora: partia num silêncio que, contudo, como aquele chilro, era singular. Ora, se a melodia nos encanta por estimular nossos ouvidos e criar formas de dança, seu silêncio encantava ao agir do mesmo modo, mas por sobre as consciências  e dançávamos, assim, extasiados, sem o céu e sem o canto, sem o vento, sem o voo, sem pardal e seu acaso; dançávamos inertes, em instâncias mui distintas, nossos passos espirituais. Afinal, diante de nós, suspirava-lhe a vida, esvaindo-se, sumindo dos domínios da matéria fugidia, porém a sua alma, do contrário, rebentava no liberto, aos prantos e soluços tão comuns aos nascimentos — renovavam-se os votos que outrora ela fizera, ainda que, no tempo, não pudesse perceber.

— Sê feliz, minha menina!
E voou: doce e velho pardalzinho.