O quanto me parece valioso, em muito e muitas vezes, o mundo das pequenas coisas.
Formiguinhas, no chuvisco, edificam castelinhos; ternurinhas e carinhos perpetuam paixõezinhas; vão
letrinhas e letrinhas dando origem aos livrinhos; crianças, criancinhas, sonhos, sonhozinhos, e quanto a mim,
antes das mitoses fiz-me unicelular: mísera estrutura… Disso, foi-se indo, indo o tempo, inventando-me, bem
veja, até o presente-agora, em que ao pé do juazeiro eu me posso descansar — ora, miudezas: outrora fora
ínfima semente o que hoje me garante a placidez à sombra fresca. Demais, em tal sossego, ao cerrar os olhos
meus, alcançam-me os sonhos da primeira meninice — pois são doutas, as crianças, no que se refere ao mundo
das pequenas coisas tais —, e o que há menor que os sonhos, que, contendo o infinito, cabem numa só cabeça?
Para mais, fora dos oníricos contornos, essas tão pequenas coisas hão de sempre conferir distinto
redeslumbramento àqueles que, prestando-se a ouvir sinceramente, buscarem percebê-las: som tremendo que
advém das minudências ao agirem, elas, tão despercebidas — retumbante, creia, mas só para os que ouvem…
os sussurros desta vida.
Entretanto, há de se dizer, os homens, os homenzarrões, em suas gigantescas controvérsias, suas
querelas desmedidas, em seu ódio desproporcional, seguem a entabular o seu Silêncio, o silêncio das grandezas
capitais — calando aquilo que, brandinho, tenta sussurrar. Ai, quando fica a vida muda, muda de desventurada,
o maior que prevalece — e o Mal é um colosso…
Cresça, imenso mundo, expanda-se, estique e se agigante!, eu vou seguindo as miudezas. Amo bem
baixinho, sonho a cada instante, e talvez eu venha a ser pequeno douto, escritorzinho; ser, em suma, grão,
somente — ou só.
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