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sábado, 17 de agosto de 2013

POR: VICENTE ALENCAR - SONHOS

 
Jornalista Vicente Alencar - Diretor de Cultura e Divulgação da SOBRAMES-CE
SONHOS

Não deixe que os meus sonhos
desapareçam junto a palavras vãs.
Recolha retalhos  dos meus carinhos,
pedaços de minha alma,
e faça-me sentir que o mundo
existe para os enamorados.
Quando acreditei que o luar
é carinhoso com os amantes,
eu pensava no brilho dos teus olhos,
no sorriso aberto do teu rosto
e nos beijos ardentes
que fazem-me feliz!
Não deixe que os meus sonhos
desapareçam
pois assim
morrerei de dor,
de paixão,
de desamor.


POR: JOSÉ WILSON DE SOUZA - ENTREGA



Dr. José Wilson de Souza - Médico e Membro da SOBRAMES-CE

                                      ENTREGA


Inesquecível tarde, nós dois, lá fora a rua.

Ela nos meus braços manhosamente. 
Amantes ávidos de amor, nós dois, lá fora a rua.

Corações e respiração céleres, ofegantes

de corpos úmidos. 
Nós dois, la fora a rua.  

Nossos lábios solvendo beijos alucinantes

no  silencio do quarto.   
Lá fora a rua.

Nós dois, dádivas mutuas, corpos palpitantes.

Ela sussurrando ao meu ouvido, quero ser tua.  

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

POR: WILLIAM MOFFITT HARRIS - A PROPÓSITO DO VÍDEO "PARABÉNS, CELINA!"

Dr. William Moffitt Harris

Pediatra Sanitarista. Prof. Dr. (aposentado) da Faculdade de Saúde Pública – USP. Fundador (05/05/05) e Coordenador Estadual do Movimento Médico Paulista do Cafezinho Literário – MMCL. Membro Titular ativo da Associação Brasileira de Médicos Escritores – SOBRAMES desde 2003, nível central SOBRAMES-BR, níveis regionais SOBRAMES-PE, SOBRAMES-RS. Membro Honorário e Titular da SOBRAMES-CE. Dissidente e separatista da SOBRAMES-SP. Membro Correspondente da Academia Maceioense de Letras. Sócio Titular da Associação Paulista de Medicina e Associado da Associação dos Médicos de Santos. Membro Associado da Academia Vicentina de Letras, Artes e Ofícios “Frei Gaspar da Madre de Deus” de S. Vicente – SP. “Padrinho” do MLSS - Movimento Literário Saberes e Sabores de S. Gonçalo do Sapucaí – MG.


Parabéns Margarida por mais este feito que só pode ser altamente estimulante para nossa amiga comum Celina que amealhará mais energia material e espiritual com o objetivo de aprimorar mais ainda seu enfrentamento às dificuldades e agruras do seu dia a dia. Pelo seu filmete é fácil observar o carinho e alegria estampados em seu semblante nesta festa surpresa que seus amigos lhe prepararam e a dedicação e amor que lhe direcionaram. Envio forte abraço às duas, esperando conhecê-las pessoalmente no lançamento da "antologia" em outubro. É possível que minha esposa vá junto para este importante evento.
                                                             William Harris
 
 
 

 

POR: PEDRO HENRIQUE SARAIVA LEÃO - OS IMPOSTOS E A MORTE

Dr. Pedro Henrique Saraiva Leão - Médico e Secretário Geral da Academia Cearense de Letras

                            OS IMPOSTOS E A MORTE

 
Publicado no Jornal - O Povo, Opinião, de 17/07/2013.

Texto postado anteriormente no Blog do Marcelo Gurgel

http://blogdomarcelogurgel.blogspot.com.br/2013/08/os-impostos-e-morte.html
 

Seriam estas nossas únicas certezas. À medida que são celebradas novas maneiras para adiar a morte, cresce o interesse pelo seu estudo. Este criou foros de ciência e ganhou um nome grego: tanatologia (tanatos = morte), aplicado pela médica suíço-americana Elizabeth Kübler-Ross (Zurique, 1926 – Arizona, 2004), pioneira na assistência aos doentes terminais. Desde os Vedas, escritos 2000 anos a.C., até os pensadores modernos, a meta tem sido elucidar o sentido da morte. Sócrates, Platão e Montaigne enfatizaram ser a filosofia um mero estudo desta.
Assim, filosofando, superaríamos o medo que dela têm alguns. O cineasta americano Woody Allen declarou não temê-la, embora não querendo estar presente quando ela chegar! Thomas Mann (1875-1955), alemão, prêmio Nobel 1929, afirmou que, sem o passamento, não haveria poetas. Em verdade, este foi o tema do primeiro texto épico, e do poema lírico inicial da literatura mundial. Longo poema épico, o Gilgamesh data “circa” 700 a.C. E uma das famosas poetisas primevas (iniciais) foi Safo. Seus versos fúnebres ainda hoje ecoam universalmente.
As artes, desde seus primórdios, guardam vínculos e vincos com a morte, e foram funéreas as composições iniciais de Bach, Gluck, Mozart, Beethoven, Schubert, Liszt e Verdi. Contudo, o óbito até há pouco era um assunto interdito nas comunidades ocidentais, quedando escondido atrás das paredes dos hospitais, ou sob as máscaras cosméticas dos esquifes (caixões mortuários) nos velórios. Desde 1969, este assunto passou a ser abertamente debatido graças ao seminal (inspirador) livro Sobre a Morte e o Morrer, da Dra. Elizabeth Kübler-Ross que tivemos o prazer de conhecer em Fortaleza (Ed. Edart, Universidade de São Paulo, 1977).
Estranhamos a omissão do seu histórico nome em matéria dos psicólogos A. Escudeiro e F. Marinho publicada em jornal local (DN, 9/7/2013). Seus dois outros livros foram Questions and Answers on Death and Dying. Ed. Macmillan, New York, 1974, e Death: The Final Stage of Growth (“Morte: o Estágio Final do crescimento”). Ed. Prentice-Hall Inc., Londres. 1975, também traduzidos para o português.
Ano passado, o tema começou a ser encarado filosoficamente nos grupos (“café da morte”) confidenciais e não lucrativos, em 40 cidades norte-americanas. Tais agremiações surgiram há cerca de 10 anos na Suíça e na França (“Cafe mortel”) e estudam tanatologia, inclusive a eutanásia (morte induzida sem sofrimento), questionando as técnicas de reanimação em moribundos desenganados (New York Times, 24/6/2013).
Há muito, neste jornal, vimos visitando esta pauta: 25/6/2007, 13/5/2009, 13/11/2010, com em Qualidade de Morte (5/1/2011), e em 27/3/2013. A morte no Japão tem um verbete específico: “Shuukatsu” – preparar o próprio fim, tendo cuidado até do sepultamento, para não ocupar/onerar outros.
O novelista espanhol Vicente Blasco Ibañez (1867–1928) autor de Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse e Sangue e Areia declarou serem o esquecimento e a esperança as duas forças que ajudam a viver. Talvez mercê da segunda, a última a morrer, os cientistas vêm procurando reverter ou deter o envelhecimento protelando a morte. O Criador ainda não completara Sua criação?

 

domingo, 11 de agosto de 2013

HOMENAGEM AO JOÃO NOGUEIRA JUCÁ

Hoje, dia 11 de agosto de 2013, domingo, foi realizada uma solenidade no Hospital Geral Dr. César Cals, em Fortaleza-CE, para homenagear JOÃO NOGUEIRA JUCÁ, um herói.

Em 4 de agosto de 1955, ao passar em frente ao Hospital Dr. César Cals, João Nogueira Jucá, um jovem de apenas 17 anos, salvou a vida de diversos pacientes durante um incêndio naquele hospital.  Atingido pelo fogo, o jovem faleceu após uma semana de sofrimento,  pagando, assim,  com a própria vida seu ato de bravura. 

A Academia Cearense de Medicina, a Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, a Associação de ex-alunos do Colégio São João, irmanados com a Direção do Hospital Geral César Cals e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará,  organizaram as homenagens.

- 09 horas: Missa na Capela do Hospital Geral Dr. César Cals
                    Café da manhã para os participantes
- 10 horas: Solenidade cívica, herma do jovem herói, com a

                   participação da Banda do Corpo de Bombeiros.









sexta-feira, 9 de agosto de 2013

POR: ANTERO COELHO NETO - A QUALIDADE DE VIDA AO MORRER

Dr. Antero Coelho Neto-Médico e Membro da SOBRAMES-CE
 
Amigas e Amigos da Rede:
No artigo deste mês destaco 3 aspectos de nossa realidade social, humana, médica e institucional.
Lembro o enorme valor humano, técnico e pessoal de Dr. Fernando Paulino, um dos maiores cirurgiões do Brasil e do mundo, excepcional professor e enorme ser humano da nossa medicina. Agradeço à ele muito do que aprendi de medicina e como cirurgião, e neste artigo, destaco seus sentimentos e sofreres da vida.    
Valorizo a nossa qualidade de vida até o momento de morrer, fazendo minha distinção no que chamam de Qualidade da Morte e minha defesa de boa Qualidade de vida até o momento de morrer.
E, mais uma vez, lembro da necessidade  dos médicos, políticos, governantes e instituições, de trabalharem para que se alcance esse nível de desenvolvimento humano, principalmente para os nossos velhos queridos.
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                          A QUALIDADE DE VIDA AO MORRER
 
Publicado no Jornal O POVO, Coluna Opinião, em 7 agosto de 2013.
 
E na seqüência do que venho escrevendo sobre a nossa qualidade de vida e longevidade, alguns amigos têm me perguntado: “ e como será a minha vida ao morrer”? .
Para nós médicos, a valorização deste tema torna-se, cada vez mais importante. Vem, então, na minha lembrança, momentos que ficaram muito marcantes na minha vida e que transmito para vocês.
Dr. Fernando Paulino, com sua técnica primorosa, conhecimento extraordinário de clínica  e de fisiopatologia cirúrgica e, principalmente,  sensibilidade para com os seus pacientes,  foi um dos maiores cirurgiões da medicina mundial.                                    
Aprendi com ele que existe muito mais do que um simples bisturi por detrás de todo atendimento cirúrgico. Aprendi dele, na sua Casa de Saúde São Miguel, no Rio de Janeiro, que ser médico e ser cirurgião é muito mais do que muitos pensam. Aprendi a grandeza do ser humano, como doente e como pessoa,  tendo o direito de viver com dignidade e qualidade. E, depois, cada doente que morria em minhas mãos, constituía uma enorme dor para mim.
            Anos mais tarde, era então Reitor da Unifor, quando Dr. Fernando esteve aqui em Fortaleza pela última vez. Ele, olhando o nosso lindo Campus pela janela da Reitoria, me falou: “Agora compreendo e te perdôo por teres te afastado da cirurgia... Aqui tu tens muita gente que necessita de teus conhecimentos e de teus sentimentos...” .
E, à noite, jantando no Náutico, conversando comigo sobre os seus casos cirúrgicos terminais, suas operações com enormes ressecções de órgãos, chorou como uma criança, dizendo que os doentes tinham perdido o  direito de viver os seus últimos dias com dignidade e humanidade, em nome de um desenvolvimento científico. E que, muitos deles que morriam no próprio hospital, sofrendo as dores e angustias da UTI, poderiam ter ficado em suas casas, com seus familiares, muitos vivendo com tranqüilidade e sem dor, seus últimos dias.
Naquele tempo, não se falava em qualidade de vida e muito menos na qualidade de vida ao morrer . Felizmente, na nossa atual prática médica e de viver,  muito tem mudado nos últimos anos. Principalmente no tema e na busca de uma melhor qualidade de vida. Todos os dias vemos nos jornais, revistas, comerciais, programas de rádio (inclusive o nosso, “Novas Idades”, na FM Universitária), televisão, internet, etc., ditos, fatos e ensinamentos sobre como viver mais com melhor qualidade. Mas nada de se falar na qualidade de nossa vida ao morrer. Talvez por medo, religiosidade, tabu?
          Daí a enorme importância que tem e damos para a  chamada Medicina Paliativa e sobre a qual já escrevemos e falamos para vocês.  Um estudo recente, da revista inglesa The Economist,  revela que se morre mal no mundo e muito pior no Brasil. A partir de um Índice de Qualidade da Morte, que exclui mortes violentas e acidentais, foram pesquisados 40 países. O Brasil ficou em 38o lugar, à frente apenas de Uganda e da Índia.
Destaco que não gosto do termo Qualidade da Morte que já foi assunto nosso anterior. A vida é  que tem ou não tem qualidade. A morte é apenas um Momento de parada da vida.
E vem então a pergunta: quando será que o Ministério da Saúde vai também incorporar esse importante e frequente problema dos idosos brasileiros? Quando será que os responsáveis pelo nosso país vão se lembrar que eles também vão morrer?.
            Em artigo anterior fiz uma proposta que continua válida: Vamos criar a nossa Rede: “Qualidade de Vida ao Morrer”?
            Amigos médicos, nós que tanto sofremos com a morte de nossos clientes, vamos continuar como Dr. Fernando Paulino, há 40 anos atrás?
Não! Vamos viver e ajudar os nossos doentes viverem com Qualidade.
Antero Coelho Neto
Médico e professor