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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
POR RONALD TELES: GRATIDÃO
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
POR RONALD TELES: DESEJO
Quero te dar a brisa que agita os arrebóis
Quero te dar água da chuva, que lava desgostos,
Quero te dar alegria da vida e do tempo,
Quero te dar sempre um novo dia, sem mais lamentos,
Quero te dar rosas multicores em um balé eterno,
Quero te dar o canto dos pássaros em sempiterno enlevo,
Quero te dar o vento que embaralha e espalha teus cabelos,
Quero te dar meu beijo , carregado de desejos,
Quero te dar meu coração,
Já sem nenhuma amarra,
Ele se abriu por inteiro para te dar amor puro,
Pois haja o que houver estaremos juntos,
E te darei eternamente tudo de mais precioso, eu juro,
Acordes de ouro, notas calentes,
De amor verdadeiro para nós dois.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
POR RONALD TELES: MÃOS
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| Dr. Ronald Teles |
MÃOS
Na exaustão de mais um dia vencido,
Como se vida escorresse através de suas linhas
Do tempo e de tantas outras,
Intercessões de nossos destinos,
Traçados divinamente em uma confluência explícita
Pelo amor que nós sentimos;
Mesmo ao toque suave,
No entremeio dos dedos,
Resvalando em nossos segredos,
Na verdade lições antigas aprendidas,
No vendaval da vida, talvez em crassos erros...
Sempre com a impressão de uma nova chance,
Pois o amor espreita atento,
Em música, em alento,
Uma fragrância suave,
Que a nós dois invade,
E eis que nossas mãos se apertam,
O calor então se propaga
Decretando almas gêmeas,
Pertença daqui e de outros mundos,
Bem além de tudo,
Sublime paixão e saudade
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
POR ÉDEN MOURA MENDONÇA: PARDALZINHO
Éden Moura - Membro Acadêmico da Sobrames-CE
"Pardalzinho"
Muito mais silenciosa do que era de costume, a unidade que amiúde eu visitava assistiria outra vez à circunstância materialmente encontradiça que eu conheceria, no entanto, pela primeira vez.
Era sabido o que iria acontecer. Fora debatido, planejado e por fim tomara forma: dona Cândida, depois da viva intrepidez com que enfrentara o seu penar, havia então de achar descanso. Sob os cuidados da equipe e após as despedidas, era tempo de deixar.
Presenciei os ocorridos como que do princípio. A admissão nas dependências, as instabilidades repentinas, a mansa recusa em resignar-se; o modo como andava, ela, de mãos dadas com o agora. Ainda me recordo dos seus doces dizeres, do seu tão lasso riso e das bênçãos que sobre nós ela teimava em derramar. Pois era toda em fé, num apaixonamento indizível pela vida... — e a fé enchia o leito, a paixão enchia os seres, agregando-nos, coadunando quem à dona Cândida podia se achegar. Tanto o era que, no derradeiro dia, apinhavam-se alguns daqueles que acabaram por amá-la, inevitavelmente, nem que por instante.
Ali, defronte de sua maca, nós a observávamos como se observa alçar voo um pardalzinho. Este, outrora estático por sobre a fiação, torna à sua existência errante, cheia do seu fazer-se livre e do vento — não tão seu —; cheia de um céu imenso, enevoado, bem como do acaso que portanto há de buscar. Caberá dizer ainda que, se o pequeno o faz embevecido pelo seu canto tão próprio, avessamente o fazia a docíssima senhora: partia num silêncio que, contudo, como aquele chilro, era singular. Ora, se a melodia nos encanta por estimular nossos ouvidos e criar formas de dança, seu silêncio encantava ao agir do mesmo modo, mas por sobre as consciências — e dançávamos, assim, extasiados, sem o céu e sem o canto, sem o vento, sem o voo, sem pardal e seu acaso; dançávamos inertes, em instâncias mui distintas, nossos passos espirituais. Afinal, diante de nós, suspirava-lhe a vida, esvaindo-se, sumindo dos domínios da matéria fugidia, porém a sua alma, do contrário, rebentava no liberto, aos prantos e soluços tão comuns aos nascimentos — renovavam-se os votos que outrora ela fizera, ainda que, no tempo, não pudesse perceber.

